O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o ministro Alexandre de Moraes como “ditador” após a determinação de busca e apreensão na residência da fonte de um jornalista que publicou reportagens sobre o uso de veículos oficiais pelo ministro Flávio Dino e familiares no Maranhão. Em vídeo, Nikolas afirmou que a medida representa um ataque frontal ao trabalho jornalístico e cobrou que a imprensa se posicione contra o que considera excessos do magistrado.

O QUE MOTIVOU A OPERAÇÃO

Em março de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do jornalista Luís Pablo, autor de matérias que denunciavam o uso de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e parentes. A medida foi autorizada por Moraes no âmbito de investigação por suposta perseguição. A partir da análise de mensagens e dados extraídos dos aparelhos do jornalista, a PF identificou Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão, como a fonte das informações. Nesta terça-feira (11), Moraes autorizou nova operação de busca e apreensão contra Cutrim e um advogado ligado ao caso.

A REAÇÃO DE NIKOLAS FERREIRA

No vídeo, o deputado mineiro afirma que a imprensa, em grande parte, “alimentou este monstro” ao apoiar ou silenciar diante de medidas semelhantes contra opositores. Agora, com a operação atingindo a fonte de um jornalista, Nikolas cobra que os profissionais da área chamem Moraes pelo que ele considera o nome correto: “ditador”. Segundo o parlamentar, trata-se de um autoritário que ultrapassa os limites da função para exercer papel que não lhe cabe.

O DEBATE SOBRE SIGILO DE FONTE

Associações de imprensa manifestaram preocupação com a quebra do sigilo da fonte, garantia constitucional do jornalismo. A decisão de Moraes ocorre em um contexto de tensionamento institucional e de críticas da direita à atuação do ministro em inquéritos que envolvem oposição e liberdade de expressão. A assessoria de Dino nega irregularidades no uso dos veículos e fala em monitoramento ilegal do ministro e de familiares, incluindo menores.

O episódio reacende o debate sobre os limites do poder de investigação do STF e a proteção ao trabalho jornalístico. Nikolas Ferreira usa o caso para reforçar a narrativa de autoritarismo judicial e cobrar posicionamento da imprensa tradicional.