A conta espanhola Atlas Media publicou que é gravíssimo: o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou observadores internacionais nas eleições brasileiras. O fato que saiu do país é de 30 de setembro. A CNN e o Correio Braziliense registraram que o TSE negou o pedido de 15 entidades que queriam acompanhar o pleito de 4 de outubro. Entre as barradas estão o Foro Madrid, organização espanhola ligada ao partido Vox e à Fundação Disenso, e a Alternativa Democrática Nacional, de Portugal. O Foro tem como assessor internacional o ex-chanceler Ernesto Araújo, e o manifesto de criação, de 2020, foi assinado por Eduardo Bolsonaro, pela venezuelana María Corina Machado, pelo presidente do Chile, José Antonio Kast, e por Santiago Abascal, líder do Vox. Também ficaram de fora a Transparencia Electoral, de Buenos Aires, a Defensoria do Povo da capital argentina, o observatório eleitoral da Universidade Nacional de La Plata e a Eurolat.

O motivo que o tribunal apresenta está na Resolução 23.678, de 2021. Missão estrangeira só observa a eleição se celebrar antes um acordo de procedimentos com o TSE e se demonstrar experiência, estrutura e capacidade técnica. Entram na conta o número de observações já feitas, se o estatuto da entidade trata de democracia e de processo eleitoral, se há equipe suficiente e se os dirigentes têm prestígio reconhecido. Sem o convite formal, não há credencial. A diretora de Assuntos Internacionais do TSE, Renata Gil, já tinha dito, em julho, que a observação se faz por missões formalmente convidadas pelo tribunal, e que esse poder é do TSE, não da Presidência da República. A decisão foi tomada em Brasília, para a eleição nacional, a dias do primeiro turno.

Quem entrou foi quem o tribunal chamou. Estão confirmadas a Organização dos Estados Americanos, a União Europeia, o Parlamento do Mercosul, a Liga dos Estados Árabes, a União Interamericana de Organismos Eleitorais, a rede dos órgãos eleitorais de língua portuguesa e a Rede Mundial de Justiça Eleitoral. O Carter Center, dos Estados Unidos, está no Brasil a convite do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que recebeu o grupo em 29 de setembro. São oito especialistas, de Portugal, Alemanha e Estados Unidos, sob a liderança de Jennie Lincoln, com foco em tecnologia, regras e educação do eleitor. Mais de 140 observadores de sete organizações devem acompanhar a preparação, o voto e a apuração. A agenda dos convidados começou nesta sexta, no próprio TSE, com palestras sobre o sistema brasileiro. O que a nota em espanhol resume numa palavra é a outra fila: quinze portas fechadas, várias delas de quem observa eleição na América Latina e na Europa, enquanto o domingo chega com a urna vista só por quem o tribunal escolheu.