A embaixada dos Estados Unidos no Brasil publicou um alerta de segurança e suspendeu, a partir desta sexta (2), os serviços consulares na embaixada em Brasília e nos consulados de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. O texto oficial diz que a suspensão é por preocupações com a segurança e manda o cidadão americano não ir à embaixada, aos consulados nem a outras instalações diplomáticas. Quem precisar de emergência deve ligar para o oficial de plantão, sem aparecer na porta. A Reuters confirmou, com uma fonte, que os funcionários em Brasília foram orientados a trabalhar de casa por causa de uma ameaça recebida pela representação. A fonte não disse qual é a ameaça. O comunicado saiu na noite de quinta (1). O Departamento de Estado, procurado, respondeu que a administração de Donald Trump tem como prioridade máxima a segurança dos cidadãos americanos, que as embaixadas usam alertas para avisar de ameaças e de mudanças no contexto local, e que está trabalhando com as contrapartes brasileiras. Não descreveu o risco e, segundo a VEJA, não associou a medida à eleição de domingo.

Horas depois, a Embaixada da Austrália em Brasília avisou que estaria fechada hoje, 2 de outubro, por preocupações com a segurança, e pediu que os australianos também evitem a embaixada, os consulados e as instalações dos EUA no Brasil, além das áreas ao redor. A assistência de emergência continua pelo centro consular em Canberra. Não há data para reabrir. O UOL registrou que, até agora, não há informação de que os dois países tenham fechado pelo mesmo motivo, e uma fonte americana com experiência diplomática na América do Sul disse à colunista Mariana Sanches que fechar antes de uma eleição não é atípico. O R7 reproduziu, ainda, um texto ligado ao consulado australiano que fala em terrorismo, comícios, manifestações e crime violento, e orienta o cidadão a ficar atento em locais públicos e onde haja multidão. O primeiro turno é domingo (4).

O que as embaixadas escreveram foi segurança e ameaça, sem nomear o fato. A leitura que corre na direita é outra, e ela cabe na pergunta que Carlos Andreazza colocou no Estadão: o STF de Flávio Dino e Alexandre de Moraes aceitaria uma derrota de Lula nas urnas. No mesmo dia, um reel trata como legítimo o medo manifestado por Paulo Figueiredo. A tese que essa ala sustenta é que, se a esquerda e o Supremo não aceitarem o resultado, o país não discute o placar, entra numa ruptura, e o nome que essa leitura dá a esse cenário é o de uma guerra civil. As portas fechadas em Brasília, dois dias antes do voto, com americanos e australianos orientados a não se aproximar, são o indício que essa leitura usa. O que o Departamento de Estado confirmou, por enquanto, é que houve uma questão de segurança, que a ameaça não foi detalhada e que Washington trata o assunto com as autoridades brasileiras.