MP PROCESSA TALLIS GOMES POR AUTORIZAR GRUPO DE ORAÇÃO VOLUNTÁRIO NA PRÓPRIA EMPRESA
Fundador da Easy Taxi e cofundador da G4 Educação afirma que foi alvo do Ministério Público após permitir que funcionários realizassem célula cristã semanal com oração, louvor e estudo bíblico. Empresário defende que a participação é voluntária e que o Estado não deveria se meter na liberdade religiosa dentro de empresa privada.
O empresário Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e cofundador da G4 Educação, tornou-se alvo de atuação do Ministério Público após autorizar a realização de encontros de oração dentro da sede de sua empresa. Segundo o próprio empresário, o grupo religioso foi criado por iniciativa dos funcionários, que solicitaram um espaço para uma célula cristã semanal.
Os encontros ocorriam às segundas-feiras e reuniam colaboradores interessados em momentos de oração, louvor e estudo bíblico. Gomes afirmou que permitiu o uso de um ambiente da empresa e que a participação era voluntária. Nas redes sociais e em entrevistas, o empresário declarou que continuará permitindo manifestações de fé enquanto estiver na liderança.
“MEUS FUNCIONÁRIOS TERÃO O DIREITO DE PROFESSAR SUA FÉ”
Tallis Gomes, que se declara católico, classificou a situação como uma inversão de valores. “Eu fui processado pelo Ministério Público porque toda segunda-feira na minha empresa tem uma célula dos evangélicos. Eles fazem orações, fazem louvor, e eu acho isso lindo”, afirmou em entrevista. Em outra declaração, reforçou: “Meus funcionários terão o direito de professar sua fé. O Estado não deveria se meter nisso.”
O empresário questionou a atuação do órgão em uma empresa privada que gera empregos e permite o exercício voluntário da religião. Até o momento, detalhes oficiais completos da ação — como número do processo, pedidos específicos e eventuais decisões judiciais — não foram amplamente divulgados.
CONTEXTO DE INVESTIGAÇÕES ANTERIORES
O episódio se insere em um histórico de procedimentos abertos pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a G4 Educação a partir de 2024. Na época, o órgão instaurou notícias de fato e inquéritos a partir de denúncias que mencionavam, entre outros pontos, jornada de trabalho elevada, alegações de discriminação política em contratações e a existência de grupos de oração na empresa.
Uma das denúncias citadas na época afirmava que funcionários seriam “obrigados” a participar de grupos de oração. Tallis Gomes e a empresa rejeitam a versão de obrigatoriedade e sustentam o caráter voluntário da iniciativa.
LIBERDADE RELIGIOSA X FISCALIZAÇÃO ESTATAL
O caso reacendeu o debate sobre os limites da atuação do Estado em empresas privadas quando o tema é liberdade religiosa. A Constituição Federal garante a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos religiosos. Ao mesmo tempo, a legislação trabalhista estabelece proteção contra discriminação no ambiente de trabalho.
Para o campo conservador, a atuação do Ministério Público no episódio representa excesso de interferência em uma atividade voluntária e privada. Tallis Gomes tem usado o caso para defender que a fé pode e deve ter espaço no ambiente corporativo quando respeita a liberdade individual dos colaboradores.
QUEM É TALLIS GOMES
Tallis Gomes ficou conhecido no setor de tecnologia após fundar a Easy Taxi, em 2011. O aplicativo chegou a operar em dezenas de países. Em 2019, participou da criação da G4 Educação, voltada para treinamentos de gestão e empreendedorismo. O empresário é figura frequente em debates sobre cultura empresarial, meritocracia e valores.
O caso segue sem uma decisão judicial definitiva divulgada publicamente e continua gerando discussão sobre o papel do Estado na regulação de manifestações religiosas em empresas privadas.

