PT ACIONA PGR CONTRA FLÁVIO BOLSONARO POR PRESENÇA DE MILEI E VÍDEO DE IA NA CONVENÇÃO DO PL
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou representação na Procuradoria-Geral da República pedindo investigação contra o senador após o presidente argentino participar do evento que oficializou a candidatura de Flávio e a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem de Jair Bolsonaro.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou neste domingo (26) a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) seja investigado pela participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL realizada no sábado (25), em São Paulo. O evento oficializou a candidatura de Flávio à Presidência da República nas eleições de 2026. A representação também questiona a exibição de um vídeo produzido com inteligência artificial que simulou a imagem e a voz de Jair Bolsonaro. Segundo Lindbergh, as condutas violariam o artigo 337 do Código Eleitoral, que proíbe a participação de estrangeiros e de brasileiros sem direitos políticos em atividades partidárias e atos de propaganda.
CONVENÇÃO DO PL OFICIALIZA CANDIDATURA DE FLÁVIO EM SÃO PAULO
A convenção nacional do Partido Liberal ocorreu na Arena Pacaembu (Mercado Pago Hall), em São Paulo, e homologou o nome do senador Flávio Bolsonaro como candidato oficial do partido ao Planalto. O evento reuniu lideranças da direita, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e contou com a presença física de Javier Milei, que desembarcou no Brasil especificamente para o ato. A campanha de Flávio ainda não definiu o candidato a vice-presidente e segue sem coligações formalizadas com partidos do centrão até o prazo de 5 de agosto.
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Durante o discurso, o presidente argentino defendeu publicamente a candidatura de Flávio, afirmou confiar nele para “parar Lula” e combater o que chamou de “lixo socialista”. Milei criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, associando-o ao Foro de São Paulo e à disseminação do comunismo na América Latina, e atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem se referiu de forma pejorativa por ter impedido sua visita a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O argentino também lamentou não ter podido se encontrar com o ex-presidente, a quem classificou como “injustamente preso”.
O governo federal havia informado previamente que não via problema na presença de Milei no evento, embora planejasse responder a eventuais comentários sobre questões internas do Brasil. Após o discurso, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas.
VÍDEO GERADO POR IA SIMULA JAIR BOLSONARO EM APOIO AO FILHO
No decorrer da convenção foi exibido um vídeo produzido com inteligência artificial que recriou a imagem e a voz de Jair Bolsonaro. Na gravação, a simulação declara apoio explícito a Flávio, afirma estar “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária” e pede que o público receba o filho “de braços abertos” como seu sucessor político. O material deixa claro, logo no início, que se trata de uma criação artificial.
LINDBERGH ALEGA VIOLAÇÃO AO CÓDIGO ELEITORAL E PEDE APURAÇÃO
Na representação enviada à PGR, Lindbergh Farias argumenta que a participação de Milei no ato partidário e o pedido de votos configuram crime previsto no artigo 337 do Código Eleitoral. O petista inclui o vídeo de IA no mesmo questionamento, sob o argumento de que a simulação permitiria a participação de pessoa com direitos políticos suspensos. Em postagem nas redes sociais, o deputado escreveu que Flávio cometeu “vários crimes” na convenção e classificou como mais grave o suposto pedido de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
REPERCUSSÃO E CENÁRIO POLÍTICO
A ação do PT ocorre no dia seguinte à oficialização da candidatura de Flávio, em meio à polarização das eleições de 2026. Para a direita e o bolsonarismo, a representação é vista como tentativa de criminalizar o apoio internacional e o uso de tecnologia em um contexto de restrições judiciais impostas a Jair Bolsonaro. A presença de Milei reforçou a narrativa de alinhamento continental da direita liberal-conservadora contra governos de esquerda na América Latina.
A PGR, chefiada por Paulo Gonet (também procurador-geral eleitoral), deve analisar a representação e decidir sobre o encaminhamento.

