CRISTINA GRAEML: “NÃO EXISTE PARTIDO DE DIREITA” E DEFENDE OCUPAÇÃO PARA INFLUENCIAR O CONGRESSO
Jornalista e pré-candidata afirma que partidos são empresas com donos (caciques) e que a direita precisa ocupar espaços em legendas que não sejam do PT ou aliados. Argumenta que isso facilita a obtenção de votos na Câmara e no Senado, em vez de ficar isolada.
A jornalista e pré-candidata Cristina Graeml reforçou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que não existe partido de direita no Brasil no sentido formal do estatuto. Segundo ela, o que existe são pessoas de direita espalhadas por praticamente todas as legendas que não sejam o PT ou seus aliados diretos. Por isso, defende que a direita ocupe esses partidos para “arejar” os debates internos e facilitar a conquista de votos no Congresso Nacional.
Graeml distingue o centrão fisiológico — que, segundo ela, causa muitos problemas — da presença de parlamentares conservadores em legendas de centro e centro-direita. Para a jornalista, é mais eficaz trabalhar dentro dessas estruturas do que permanecer isolada em uma legenda puramente identitária.
PARTIDOS COMO EMPRESAS E O PAPEL DOS CACQUES
Na avaliação de Graeml, os partidos políticos funcionam como empresas: visam lucro e têm donos, apelidados de “caciques partidários”. Esses dirigentes, afirma, priorizam candidatos que trazem recursos para a legenda. Pela legislação atual, o valor do fundo partidário e do fundo eleitoral está vinculado, em grande medida, ao desempenho eleitoral dos deputados federais (cada voto tem um valor fixo que retorna ao partido).
Por isso, segundo ela, os partidos valorizam mais um deputado federal com votação expressiva — como Nikolas Ferreira — do que candidatos a governador ou senador, que não geram o mesmo retorno financeiro imediato para a legenda. Graeml declara ser contra o financiamento público de partidos, mas reconhece que, enquanto a regra estiver em vigor, é preciso jogar dentro dela para conseguir mudanças.
ESTRATÉGIA DE OCUPAÇÃO E MUDANÇA DAS REGRAS
A jornalista argumenta que a direita precisa entrar nesses partidos, influenciar as discussões internas e, na hora das votações na Câmara e no Senado, facilitar a formação de maioria. “É mais fácil conseguir os votos necessários do que ficar dizendo ‘vamos votar no cabo’”, afirma.
Para mudar o sistema de financiamento e a lógica dos partidos, ela defende que é preciso primeiro ocupar espaço, fazer política e convencer outros parlamentares a apoiar as alterações. A posição reflete a trajetória recente de Graeml, que passou por diferentes legendas (PMB, Podemos, União Brasil e, atualmente, PSD) e mantém apoio público a Flávio Bolsonaro para a Presidência, mesmo filiada a um partido do centrão paranaense.

