MOURA DIZ QUE A CHANCE DE PRIMEIRO TURNO É A MAIOR DESDE 1998 E O CAMINHO FAVORECE FLÁVIO
Se o não-voto chegar a 31% ou 32%, o fundador do Ideia vê decisão no domingo, com Flávio levando o antipetismo de chegada e a abstenção que tira ponto do PT
No Jornal da Globo desta quarta, Maurício Moura, diretor do Instituto Ideia, disse que o mais provável ainda é um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, e ao mesmo tempo cravou que a chance de a eleição presidencial terminar já no dia 4 de outubro é a maior desde 1998, leitura que ele tinha detalhado na véspera, no TAG Summit, organizado pelo Market Makers, onde falou como sócio do Zaftra e fundador do Ideia: o cenário-base segue sendo o segundo turno, mas uma definição no primeiro “não é nada desprezível” e depende do não-voto, a soma de branco, nulo e abstenção.
A conta que ele apresentou aos investidores é direta, porque se esse não-voto chegar à zona de 31% a 32% a probabilidade de a eleição se resolver no domingo fica muito alta, e nesse desenho os dois nomes com chance são Lula e Flávio, com favoritismo do senador por dois fatores que Moura separou, o primeiro sendo o antipetismo de chegada, o crescimento de última hora do candidato mais viável contra o PT, fenômeno que ele diz ocorrer desde 2014 e que agora tem potencial maior, já que Flávio tende a ganhar mais porque todos os principais adversários são de oposição, e o segundo sendo o perfil de quem falta, cerca de 20% de baixa renda e baixa escolaridade, com o precedente de 2022, quando 5 milhões de analfabetos não apareceram, o que, na conta dele, sempre tira do PT entre 1,5 e 2,5 ponto.
O que o número descreve, a quatro dias da urna, é um primeiro turno que não se decide só por quem declara voto hoje, e sim por quem não comparece e por quem larga Caiado, Zema, Cury e Renan na reta final para o nome que pode impedir a reeleição, caminho em que Moura põe Flávio na frente mesmo mantendo o segundo turno como hipótese mais fácil, e ao falar para o mercado ele acrescentou a ressalva de que uma vitória de Flávio traria otimismo, inclusive estrangeiro, com a dificuldade de entregar, porque na leitura dele o eleito começaria com metade contra e uma coalizão sem boa vontade, o que empurra a governabilidade para o Centrão, aviso de investidor que não muda a aritmética que ele mesmo colocou na mesa: abstenção que custa ponto ao PT e voto tardio de uma oposição que, desta vez, está inteira do outro lado de Lula.

