Maurício Moura, diretor do Instituto Ideia, falou no Jornal da Globo desta quarta-feira (30). Ele disse que o mais provável ainda é um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, afirmou que a chance de a eleição terminar já no dia 4 de outubro é a maior desde 1998.

Ele tinha detalhado essa leitura na véspera, no TAG Summit, organizado pelo Market Makers. Ali falou como sócio do Zaftra e fundador do Ideia. O cenário-base segue sendo o segundo turno. Uma definição no primeiro turno, nas palavras dele, não é nada desprezível. O que decide é o não-voto, a soma de branco, nulo e abstenção.

A conta que ele apresentou aos investidores é direta. Se esse não-voto chegar à faixa de 31% a 32%, a probabilidade de a eleição se resolver no domingo fica muito alta. Nesse desenho, os dois nomes com chance são Lula e Flávio. O favoritismo, na leitura de Moura, é do senador.

Ele separou dois fatores. O primeiro é o antipetismo de chegada, o crescimento de última hora do candidato mais viável contra o PT. Moura diz que isso ocorre desde 2014 e que agora o potencial é maior, porque os principais adversários de Flávio também são de oposição. Quem larga Caiado, Zema, Cury e Renan na reta final tende a ir para o nome que pode impedir a reeleição, e esse nome, na leitura dele, é Flávio.

O segundo fator é o perfil de quem falta. Cerca de 20% são eleitores de baixa renda e baixa escolaridade. Em 2022, 5 milhões de analfabetos não apareceram. Na conta de Moura, isso sempre tira do PT entre 1,5 e 2,5 ponto.

Ao falar para o mercado, ele fez uma ressalva. Uma vitória de Flávio traria otimismo, inclusive de fora. A dificuldade seria entregar o governo, porque o eleito começaria com metade do país contra e uma coalizão sem boa vontade. Isso empurra a governabilidade para o Centrão. A ressalva não muda a conta que ele mesmo colocou na mesa. Abstenção tira ponto do PT. O voto tardio da oposição, desta vez, está inteiro do outro lado de Lula.