No dia 17 de novembro de 2025, horas antes de ser preso no aeroporto de Guarulhos ao tentar fugir para Dubai, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As trocas, feitas via WhatsApp em modo de visualização única, foram recuperadas pela Polícia Federal (PF) no celular do empresário e levantam fortes suspeitas sobre a relação entre o magistrado e o investigado.

MENSAGENS RECUPERADAS PELA PF NO CELULAR DE VORCARO

Vorcaro usava prints do bloco de notas do celular para enviar informações sobre a tentativa de venda do Banco Master e questionava o ministro sobre um inquérito sigiloso que corria contra ele. Entre as frases recuperadas estão: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar”, “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” e relatos sobre vazamentos e negociações. Moraes teria respondido a algumas mensagens, inclusive com um emoji de joinha. As mensagens foram enviadas ao longo do dia, da manhã até a noite.

PERITOS E SOFTWARE DA PF CONTRADIZEM VERSÃO DE MORAES

O ministro negou ser o destinatário, alegando que os prints estariam em pastas de outros contatos. No entanto, peritos e o próprio software de extração de dados da PF (IPED) indicam que a organização dos arquivos não vincula o destinatário real. Especialistas confirmam que é possível rastrear logs, horários e interlocutores mesmo em mensagens de visualização única. A defesa técnica de Moraes foi contestada por colunistas como Malu Gaspar, do O Globo, e análises de veículos como InfoMoney e CNN.

PROXIMIDADE ENTRE MORAES E VORCARO ANTERIOR AO CASO

Os contatos não eram isolados. Dados da PF mostram que o número de Moraes estava na agenda de Vorcaro desde dezembro de 2023. Houve relatos de encontros, inclusive na mansão do banqueiro, e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, firmou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Vorcaro mencionava o ministro em anotações recuperadas, tratando-o com familiaridade.

REAÇÃO POLÍTICA E COBRANÇA POR TRANSPARÊNCIA

A oposição reagiu com força. Governadores e parlamentares de direita cobram explicações, com pedidos de impeachment e criação de CPI. O caso reforça críticas ao ativismo judicial e à falta de imparcialidade no STF, especialmente sob Moraes, que acumula decisões controversas contra a direita e a liberdade de expressão. Bolsonaristas veem mais uma evidência de que o sistema protege seus aliados enquanto persegue adversários políticos.

IMPACTO NO CASO MASTER E NA CREDIBILIDADE DO JUDICIÁRIO

O episódio se insere na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes, organização criminosa e lavagem de dinheiro no Banco Master, com rombo bilionário. A proximidade de um ministro do STF com o principal investigado gera questionamentos sobre segurança jurídica e isonomia. Enquanto a esquerda tenta minimizar, a direita exige apuração rigorosa para evitar que o caso seja mais um exemplo de dois pesos e duas medidas.