Uma crise descrita como inédita e sem precedentes, segundo os próprios ministros, tomou conta do Supremo Tribunal Federal. Alexandre de Moraes e André Mendonça mantêm posições firmes e não demonstram qualquer sinal de recuo, segundo apuração de Matheus Teixeira no CNN 360°, da CNN Brasil. O embate envolve troca grave de acusações: Mendonça levantou o sigilo de mensagens consideradas gravíssimas enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes; o conteúdo incluía consultas sobre como fugir do país e escapar de investigações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República ligadas ao Banco Master.

Como resposta, Moraes citou um relatório de inteligência da PF — documento que a própria polícia afirma não ter valor probatório — para acusar o colega, no âmbito do inquérito das fake news, de crime de responsabilidade e de improbidade administrativa, apontando suposto direcionamento de investigações. O presidente da Corte, Edson Fachin, autuou tudo na mesma petição, assumiu a responsabilidade, pediu manifestação das partes e estabeleceu prazo. Uma saída cogitada — encerrar o inquérito das fake news e retirar Mendonça da relatoria do caso Master — não encontrou adesão de nenhum dos lados.

Mendonça liberou para julgamento o caso envolvendo Moraes, enquanto Moraes sinalizou que não pretende abrir mão do inquérito das fake news. Segundo Teixeira, toda tentativa de construção de uma solução informal fracassou até o momento, e as negociações não têm encontrado respaldo na maioria do Supremo. Nenhum dos ministros com quem a CNN conversou em Brasília soube responder como a crise irá terminar; Fachin ganhou tempo para decidir os próximos passos.