ALA DO STF APOSTA EM DECISÃO SOBRE MORAES E MENDONÇA SÓ APÓS AS ELEIÇÕES
Segundo a CNN Brasil, ministros esperam que Fachin não paute o embate no calor da campanha; tendência é julgamento conjunto no plenário.
Uma ala do Supremo Tribunal Federal avalia que o presidente da Corte, Edson Fachin, marcará sessão do plenário para julgar a troca de acusações entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes somente depois das eleições de outubro, segundo a CNN Brasil. A avaliação de outros ministros é que Fachin não pautará a análise tão próxima do primeiro turno nem entre um primeiro e um eventual segundo turno, para evitar contaminação política de um julgamento considerado um dos mais sensíveis da história da Corte.
O embate ganhou força com o relatório da Polícia Federal, sob relatoria de Mendonça, que reúne mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro atribuídas a Moraes, e com o pedido de Moraes para que o plenário investigue Mendonça por crime de responsabilidade e improbidade administrativa na condução dos inquéritos do Banco Master e do INSS. Fachin retirou essa acusação do inquérito das fake news, reuniu as frentes em processo sob a Presidência e pediu manifestações aos magistrados, à Procuradoria-Geral da República e à PF — movimento interpretado como forma de ganhar tempo para uma solução institucional e de não pautar o tema no auge da campanha.
Ainda cabe a Fachin definir data e formato. Há a possibilidade de o próprio presidente decidir individualmente a troca de acusações, mas o cenário apontado como mais provável é a palavra final do plenário, em julgamento conjunto. Os ministros terão de decidir se abrem apuração contra Moraes com base no material da PF e como tratam as imputações contra Mendonça; pedido e investigação não equivalem a condenação. Em vídeos recentes, Mendonça libera o caso ao plenário e Moraes pede a Fachin apuração sobre o colega.

