Moraes chama o relatório de Mendonça de farsa estrangeira e devolve a trama golpista ao colega
Na véspera do plenário, o ministro fala em órgão externo, vingança dos condenados de 8 de janeiro e já enfiou Mendonça no inquérito das fake news
Já imaginou o ministro que julgou o golpe acusar o colega de continuar o golpe? Na noite de segunda, Alexandre de Moraes mandou a Fachin uma defesa de 44 páginas e 121 tópicos. O relatório da PF que o coloca no centro do Master, escreveu, não nasceu na Polícia Federal. Os metadados, segundo ele, mostram o IPJ aberto e fechado no mesmo dia: o texto teria sido feito fora, “provavelmente por agentes estrangeiros”, e só colado no computador da corporação para interferir na eleição de 2026. O afastamento de Andrei Rodrigues, comemorado por autoridades lá fora, teria servido para ninguém auditar a origem. É a tese da interferência estrangeira no dia em que o plenário decide se ele vira investigado.
A peça não para no laboratório. Moraes chama o documento de farsa, fala em vingança dos aliados dos condenados da trama golpista e escreve que o 8 de Janeiro não acabou, só mudou o modus operandi. André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, já estava no inquérito das fake news com pedido de apuração por improbidade, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, tipos que preveem perda do cargo e detenção. O mesmo gabinete que pôs tornozeleira em presidente agora desenha o colega como continuidade do golpe. Eduardo Bolsonaro gravou a leitura: Moraes diz que a trama não morreu e que Mendonça a prolonga. O vídeo está neste post: Vídeo
O Supremo se reúne nesta terça para autorizar ou não a investigação contra Moraes. O ministro pede que o relatório caia por quebra de cadeia de custódia e por “órgão externo”. Mendonça é quem levantou o sigilo das 51 mensagens com Vorcaro. Um quer anular a prova. O outro quer o inquérito. No meio, a leitura que o vídeo do Eduardo coloca na rua: o destino que Moraes reserva ao relator do Master é o mesmo que reservou aos réus de 8 de Janeiro.

