Já imaginou o ministro do Supremo ir até o delegado, em pessoa, pedir o papel que pode derrubar o colega? André Mendonça escreveu a Edson Fachin na noite de segunda que foi isso. Pediu o relatório sobre Alexandre de Moraes presencialmente. Cautela, disse. Sigilo, disse. O pedido é atípico. A PGR quer anular o documento porque ministro do STF só se investiga com o plenário. Mendonça não respondeu a esse ponto. Respondeu o outro: o Master vazava, e no relatório apareciam Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. VídeoAlexandre de Moraes, alvo do relatório que Mendonça foi buscar na PF

A frase que ele mandou ao presidente da Corte é longa de propósito. “Diante da menção direta à pessoa do atual Diretor-Geral da Polícia Federal, bem como do Procurador-Geral da República, por cautela, buscando preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações — sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja — impunha-se a adoção de providência apta a salvaguardar a supervisão judicial.” Tradução de quem lê Brasília: se o papel passasse pelo protocolo, o vazamento ganhava carimbo.STF: PGR diz que só o plenário autoriza investigar ministro

Delegados já tinham dito a Mendonça, em março, que se sentiam pressionados depois que as mensagens de Vorcaro com Moraes vazaram. Mandaram HD lacrado ao gabinete. O relatório sobre o ministro só saiu no fim de agosto, quando Mendonça mandou identificar os interlocutores da fuga. Hoje o plenário decide se aquele papel vale. Moraes chama de farsa estrangeira. Mendonça chama de cautela. O eleitor chama do que for: o relator foi buscar o dossiê com a própria mão.