Moraes admite: modelo eleitoral brasileiro faliu
Ministro defende voto distrital misto e critica parlamentares que priorizam lives em vez de projetos
Alexandre de Moraes fez uma admissão que atinge o coração da democracia brasileira: “esse modelo eleitoral faliu”. Em palestra no Tribunal de Contas do Município de São Paulo, nesta segunda-feira (24), o vice-presidente do STF afirmou que o sistema proporcional produz eleitos sem ligação real com os partidos e parlamentares mais preocupados em fazer lives do que discutir projetos. Como alternativa, defendeu uma transição gradual para o voto distrital misto, começando por 30% das cadeiras e ampliando o percentual nas eleições seguintes.
O diagnóstico sobre a crise de representação merece debate, mas também expõe um limite institucional: reformar eleições e partidos é responsabilidade do Congresso, não do Supremo. Além disso, nenhuma mudança poderia alterar o pleito de 2026, pois o artigo 16 da Constituição impede que uma nova regra eleitoral seja aplicada a uma eleição realizada antes de completar um ano de vigência. Quando um ministro critica diretamente a forma como parlamentares eleitos se comunicam e aponta o sistema que considera ideal, a pergunta inevitável é se está apenas contribuindo para o debate ou avançando novamente sobre uma decisão que pertence ao voto popular e ao Poder Legislativo.

