Ministros do Supremo, ouvidos reservadamente pela Revista Oeste, disseram que uma ala da Corte prepara o terreno para contestar o resultado se Flávio Bolsonaro vencer. A coluna No Ponto, de Cristyan Costa, saiu nesta segunda (28) às 5h. Um deles falou: “Estão criando clima para isso.” Outro disse que o ambiente vai servir para “sustentar dúvidas” sobre a neutralidade das instituições do processo eleitoral. O alvo nomeado é André Mendonça, relator do Banco Master, cuja atuação essa ala trata como parcial. A narrativa que a Oeste descreve é a de que decisão, investigação e vazamento estariam contaminados por “interesses político-eleitorais”.

O que está em ata não precisa de bastidor. Na sessão em que a Corte poderia abrir investigação contra Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes acusou Mendonça de agir com “inequívoco viés político-eleitoral” e o chamou de “pixuleco eleitoral”, por causa do boneco inflado na Paulista no 7 de Setembro. O decano também disse que o fim do sigilo e o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ganharam tração conforme avançava o ciclo eleitoral. O pano de fundo, registra a Oeste, é o relatório da PF com as mensagens de WhatsApp entre Moraes e Daniel Vorcaro, em que o ex-dono do Master pedia ajuda. Meses antes, no X, Mendes escreveu que o Supremo poderia funcionar como “instância revisora” se o TSE não atuasse com imparcialidade. A frase dele: “Mais grave, porém, é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer.”

Faltam seis dias para 4 de outubro. Os ministros que falaram com a Oeste não puseram o nome no papel. Gilmar pôs a tese no plenário e na rede. Se Flávio ganhar, o clima que eles descrevem já tem frase pronta para duvidar da urna. A contestação ainda não foi protocolada. O vocabulário, segundo a própria Corte, já está em uso.