Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, vai se reunir nesta segunda (28) com Edson Fachin, presidente do Supremo, e levar duas cobranças. A primeira é a decisão de Flávio Dino que, no domingo (27), desautorizou a ordem eleitoral sobre a polêmica de Nossa Senhora Aparecida. A segunda é o que Kassio chama de manipulação na escolha de relator. A reunião já estava marcada. A Folha, em reportagem de Luísa Martins, diz que a tensão entre as duas cortes deve ocupar o encontro. Kassio quer alertar Fachin sobre interferência indevida de ministro do Supremo no TSE e cobrar regra para impedir o direcionamento de processo.

Na sexta (25), André Mendonça, vice-presidente do TSE, mandou tirar do ar mais de mil publicações que classificou de “notoriamente inverídicas”. O conteúdo dizia que Flávio Bolsonaro, se eleito, tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O senador nega. No domingo, Dino cassou a ordem no caso de Antonio Tabet. Entendeu que a publicação não tinha “grau de ilicitude suficiente” para restringir a liberdade de expressão e que o texto não citava Flávio pelo nome. O pedido de Tabet não nasceu numa distribuição nova. Entrou num processo que está com Dino desde maio e tratava, na origem, da inelegibilidade de Deltan Dallagnol. Kassio vê nisso violação do juiz natural: a parte escolhe o ministro ao enfiar demanda nova numa ação que já tem dono. Gilmar Mendes e o próprio Dino sustentam que não há irregularidade quando o pedido novo tem conexão com o processo antigo. Em maio, Fachin já tinha determinado que petição nova em processo arquivado passasse antes pela Presidência.

Faltam seis dias para 4 de outubro. A mentira sobre a santa saiu do ar por ordem do TSE e voltou por decisão de um ministro do Supremo, no processo de outro candidato. Kassio leva isso a Fachin hoje. A regra que ele pede ainda não existe. O post de Tabet, sim.