Milton Leite é alvo de prisão na operação contra o PCC nos ônibus de São Paulo
A Vectura Corrupta cumpre 16 mandados; o ex-presidente da Câmara diz que está em viagem, nega ser foragido e promete se apresentar
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo de mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público estadual. A ação apura a infiltração do PCC no transporte coletivo da capital. São 16 prisões e 18 buscas em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Também tiveram prisão decretada o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira, o candidato a estadual Danilo Morgado e três advogados. A polícia aponta 12 empresas de ônibus sob controle direto ou indireto da facção, entre elas a Transwolff.
No pedido que embasou a operação, o desembargador Sérgio Ribas descreveu Leite como “dono de fato” da Transwolff, citada em lavagem. Interceptações e o inquérito da Corregedoria da PM, segundo a Folha, sustentam que decisões das empresas ligadas à facção dependiam do aval do ex-vereador. Leite divulgou nota: está em viagem, não está foragido, vai se apresentar em 24 horas e “vai provar a inocência em todas as acusações”. Disse que não conhece ninguém do PCC e que a relação com o setor foi institucional, a pedido de Bruno Covas. A Transwolff nega. A polícia o considera foragido enquanto ele não comparece.
O mesmo Washington que cobrou o Brasil por PCC e CV vê, nesta quinta, o ex-presidente da Câmara paulistana na lista da Vectura. Mandado não é sentença. O Ministério Público descreveu dono de fato; o alvo descreveu viagem e inocência. As 12 linhas de ônibus e os 16 mandados estão no papel. Quem manda no ponto e quem manda na facção é o que a Justiça de São Paulo vai ter de separar — com Leite na delegacia ou no banco, não no recado de Instagram.

