Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo Distrito Federal, surpreendeu ao indicar possível saída do PL, partido de Jair Bolsonaro, para o Republicanos, legenda que tem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como principal nome. A movimentação ocorre após a derrota de Flávio Bolsonaro e sua saída para os Estados Unidos.

Segundo relatos, a articulação é conduzida pela senadora Damares Alves. Michelle estaria descontente com os filhos de Bolsonaro e com a gestão de Valdemar Costa Neto no PL. O objetivo seria assumir protagonismo na direita e fortalecer o chamado “Michellismo”.

O presidente do Republicanos no DF, Joaquim Mauro Silva, disse que o partido receberia Michelle “de braços abertos”, mas negou que haja conversas formais no momento. A declaração veio depois da circulação de informações sobre a possível troca de partido.

Michelle conquistou cerca de 29% dos votos válidos no DF e se tornou a primeira ex-primeira-dama a se eleger para um cargo eletivo. A relação com os enteados, especialmente Flávio, já havia mostrado desgastes públicos em campanhas anteriores.

A possível mudança de partido acontece no momento em que a direita se reorganiza após a derrota eleitoral. Michelle tem capital político próprio entre mulheres e evangélicos, e uma eventual filiação ao Republicanos aproximaria ainda mais seu projeto do de Tarcísio de Freitas.

Por enquanto, a senadora eleita permanece no PL. Mas os sinais de insatisfação e as articulações em curso mostram que a disputa pelo espaço na oposição está aberta, com Michelle buscando um caminho próprio dentro do campo conservador.