Jorge Messias passou a ser alvo de críticas em grupos de WhatsApp formados por integrantes da AGU, da Polícia Federal e da magistratura depois de rejeitar um pedido para que a Advocacia-Geral da União contestasse decisões de André Mendonça no inquérito do INSS. A insatisfação surgiu após o ministro do STF permitir à PF acesso aos dados brutos obtidos com a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e agora é usada como munição contra uma eventual nova indicação de Messias ao Supremo.

A expressão de que Messias teria se recusado a “salvar Lulinha”, porém, distorce a função institucional da AGU. O órgão representa a União e suas entidades, não faz a defesa particular do filho do presidente. O pedido discutia se a AGU deveria entrar no conflito entre a PF e o relator sobre o alcance do acesso às provas; ao não agir, Messias evitou transformar a Advocacia-Geral em parte da disputa. Até agora, não há prova de que ele tenha interferido para proteger ou prejudicar Lulinha.

Politicamente, o episódio expõe Messias a uma pressão contraditória: se recorresse contra Mendonça, poderia ser acusado de usar a estrutura pública para proteger a família Lula; como recusou, passou a ser acusado de abandonar o governo. Depois de sua indicação ao STF ter sido rejeitada pelo Senado por 42 votos a 34, o fogo amigo amplia as dificuldades para uma nova tentativa e revela que a disputa envolve tanto o controle da investigação quanto a sucessão no Supremo.