Flávio Bolsonaro passou a ser criticado depois de gravar um vídeo em apoio à candidatura de Eduardo Cunha a deputado federal por Minas Gerais. Na mensagem divulgada nas redes de Cunha, o presidenciável do PL destaca a decisão do então presidente da Câmara de aceitar, em 2015, o pedido de impeachment de Dilma Rousseff e afirma que a petista foi a pior presidente da história do país.

O apoio consolida uma aliança que já vinha sendo construída: Cunha declarou preferência por Flávio na corrida presidencial e tenta voltar à Câmara pelo Republicanos. A aproximação, porém, oferece munição aos adversários porque o ex-deputado teve o mandato cassado em 2016 por mentir à CPI da Petrobras, foi preso na Lava Jato e recebeu condenações posteriormente anuladas por questões de competência judicial. A anulação processual não representa uma absolvição do mérito das acusações.

Eleitoralmente, Flávio aposta que a memória do impeachment mobilizará eleitores antipetistas, mas assume o risco de vincular sua campanha à rejeição acumulada por Cunha. A escolha também pressiona o discurso de renovação e combate à corrupção defendido pela direita: o ganho pode estar na rede política e evangélica do ex-presidente da Câmara em Minas, enquanto o custo será explicar por que um personagem central da velha política voltou a receber o aval do candidato ao Planalto.