O analista Nichollas Marshell avalia que 2026 pode ser a última eleição em que a esquerda brasileira entra realmente forte sob a liderança de Lula. A tese é que o campo progressista transformou o petista em figura insubstituível durante décadas, mas não preparou uma sucessão capaz de conservar sua ligação com os eleitores mais pobres e reunir partidos diferentes em uma frente nacional.

Os dados mostram desgaste, mas não o fim político de Lula: o Datafolha registra 41% de avaliação ruim ou péssima e 33% de ótima ou boa, enquanto o presidente ainda lidera a disputa com 39%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. A vantagem diminuiu, e o cenário econômico amplia a pressão, com juros elevados, atividade em desaceleração e inflação ainda acima da meta; mesmo assim, Lula continua sendo o candidato mais competitivo da esquerda.

O risco maior pode estar no período posterior à eleição. Se Lula vencer, chegará ao fim de outro mandato sem herdeiro político evidente; se perder, a esquerda terá de reconstruir sua liderança sem o personagem que organizou o campo por mais de quarenta anos. A conclusão de que a esquerda “acabará” é uma hipótese, não um fato, mas sua dependência de Lula revela um problema estratégico que o PT adiou por tempo demais.