Treze ministros aposentados e ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) divulgaram na noite de segunda-feira (7 de setembro de 2026) uma nota em que pedem ao presidente da Corte, Edson Fachin, a convocação de uma sessão pública para que o plenário determine "imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos" cuja divulgação, segundo o documento, vem comprometendo o prestígio e a autoridade do tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas. De acordo com a Folha de S.Paulo, os signatários classificam o momento como a "mais aguda crise" na cúpula do Judiciário.

A carta não cita nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, que enfrenta desgaste com a revelação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Assinam o texto Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber — entre eles, Celso de Mello e Rosa Weber foram colegas de Moraes na Corte. O documento manifesta "plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza" de Fachin e a convicção de que a sessão será marcada "com toda a urgência".

Segundo a Folha, a crise se intensificou em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal sobre diálogos entre Moraes e Vorcaro; o Master pagou R$ 80 milhões ao escritório da mulher de Moraes, e o ministro editou o contrato do compromisso, conforme aponta o relatório da PF. Como reação, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade; na sexta (4), Fachin retirou esse pedido do inquérito das fake news. A crise divide os ministros, e o presidente da Corte ainda não decidiu como procederá sobre os pedidos.