O advogado André Marsiglia afirmou, em comentário no programa Os Pingos nos Is, que a derrota de Alexandre de Moraes no STF pode sinalizar uma mudança no ambiente da Corte. O fato que sustenta a análise ocorreu no processo de Simone Macedo: por 6 votos a 4, o plenário contrariou Moraes e permitiu que o período de recolhimento domiciliar noturno com tornozeleira fosse descontado da pena. A decisão não absolveu a condenada nem anulou o processo; apenas alterou o cálculo do tempo de cumprimento.

Depois do revés, Moraes retirou do plenário virtual dois casos semelhantes, envolvendo Rosa Maria Pinto Vanderley e Carlos Daniel Aragão de Araújo. Os processos ainda poderão voltar a julgamento, e a retirada não representa vitória definitiva das defesas. O precedente, contudo, abre espaço para que outros condenados submetidos a cautelares severas peçam o mesmo abatimento, sempre mediante análise individual.

Para Marsiglia, o placar demonstra que Moraes já não conduz sozinho todas as controvérsias relacionadas ao 8 de Janeiro e que o colegiado começa a impor limites. Essa é uma interpretação política e jurídica do comentarista, não uma posição oficial do STF. Ainda é cedo para falar em revisão geral das condenações, mas o resultado revela uma divergência concreta entre os ministros e pode reduzir penas quando houver medidas cautelares equivalentes à restrição de liberdade.