MADURO E CILIA FLORES SE DECLARAM INOCENTES DE NOVAS ACUSAÇÕES DE TORTURA EM TRIBUNAL DE NOVA YORK
Denúncia reescrita pela promotoria americana acusa o ex-ditador venezuelano e sua mulher de comandar um aparato estatal de repressão que teria torturado opositores e três cidadãos dos Estados Unidos, e o juiz Alvin Hellerstein registrou a alegação de inocência de Maduro depois que ele chamou as acusações de falsas.
O ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, se declararam inocentes nesta quinta-feira (15), em um tribunal federal de Nova York, das novas acusações de conspiração para cometer tortura apresentadas pelo governo dos Estados Unidos, conforme relataram o Estadão, a BBC e a NBC News. A nova denúncia, divulgada na semana passada, amplia o processo que já tramitava contra o casal por narcoterrorismo, tráfico de drogas e crimes ligados a armas.
Segundo a acusação reescrita, Maduro e Cilia Flores teriam criado e mantido um sistema violento de repressão estatal responsável pela morte, perseguição e tortura de milhares de venezuelanos, e entre as vítimas estariam três cidadãos americanos, de acordo com a NBC News. A denúncia lista métodos como choques elétricos, asfixia, estupro, nudez forçada, isolamento prolongado, privação de alimentos, celas de castigo e tortura psicológica, e atribui a Maduro a recomendação pessoal de métodos e o acompanhamento do tratamento dado a presos específicos. Cilia Flores, de 70 anos e ex-procuradora-geral, é acusada pelos promotores de ter ajudado a desenvolver o sistema e de ter ordenado a tortura de algumas pessoas. Trata-se de alegações da promotoria, que ainda precisarão ser provadas diante de um júri.
Na audiência, Maduro se recusou duas vezes a responder formalmente ao pedido do juiz e afirmou, por meio de um intérprete, que a denúncia se baseia em "falsas acusações e falso testemunho". Diante disso, o juiz Alvin Hellerstein determinou que fosse registrada em nome dele a declaração de inocência, enquanto Cilia Flores disse ter lido a versão em espanhol do documento e declarou: "Sou completamente inocente. Não sou culpada."
O casal foi capturado em janeiro durante uma operação militar americana e levado para Nova York, onde permanece preso, e sua defesa sustenta que ambos teriam direito a imunidade soberana, argumento usado para pedir o arquivamento do caso. O julgamento está previsto para junho de 2027, segundo a BBC.

