LULA PERDEU O DIÁLOGO COM EVANGÉLICOS E O TERRITÓRIO FICOU COM A DIREITA, DIZ SPYER
Segundo o antropólogo Juliano Spyer, divulgado pela Folha, a ruptura com lideranças influentes das igrejas já é definitiva nesta geração.
O antropólogo e historiador Juliano Spyer afirmou, em coluna divulgada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (21/9), que os evangélicos em geral não têm afinidade com a esquerda e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu a oportunidade de dialogar com as lideranças das igrejas influentes. Segundo Spyer, a conclusão vem de um pastor interlocutor — identificado apenas como Luís — com abertura para votar no PT e que acompanha de perto a cena política entre grandes líderes religiosos.![]()
Segundo Spyer, a ruptura entre líderes evangélicos e a esquerda seria definitiva nesta geração. O PT, em vez de cultivar relações mesmo nos bastidores desde o governo Lula 1, teria preferido falar com “os pastores deles” — nomes menos conhecidos, alinhados a pautas como aborto e casamento homoafetivo. Agora, segundo a análise, o território do cristianismo já estaria controlado por agentes bolsonaristas, que policiam o debate público e atacam dissidências até “matar socialmente” quem se opõe dentro do meio evangélico. Carreiras de pastores e músicos críticos a Bolsonaro teriam sido arruinadas; a “bala de prata” de Lula nesta eleição, limitar as bets, teria impacto restrito.![]()
O quadro descrito por Spyer confirma o que a direita evangélica já pratica há anos: quem tenta instrumentalizar a fé só na campanha e despreza as igrejas de massa no dia a dia perde o rebanho. Enquanto o PT se isola nos “pastores deles”, o eleitorado evangélico segue com Flávio Bolsonaro e com a agenda de costumes — e a Folha, ao admitir que não há mais clima para diálogo nesta geração, registra a derrota estratégica de Lula nesse território.

