O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à CNN Internacional, que está preocupado com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. Segundo Lula, a preocupação envolve a proximidade do secretário de Estado americano, Marco Rubio, com a família Bolsonaro. O próprio presidente reconheceu que, até o momento, existem apenas suspeitas e que não foi apresentado nenhum fato concreto. Ele também disse ter pedido a Donald Trump que Washington não se envolva no processo eleitoral brasileiro.

Lula citou ainda possíveis indícios de uso de inteligência artificial em ações de influência política, mas não apresentou detalhes ou provas públicas durante a entrevista. A declaração ocorre às vésperas da abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, num momento em que o governo brasileiro tenta transformar a defesa da soberania eleitoral em um dos principais temas de sua agenda internacional.

Na mesma conversa, o presidente classificou como grave a operação militar dos Estados Unidos que capturou Nicolás Maduro e afirmou que a Venezuela passou a impressão de estar sendo governada por Washington. Lula defendeu que Maduro seja investigado e julgado caso tenha cometido crimes, mas criticou a retirada do ex-presidente venezuelano sem um processo conduzido pelas instituições do país. A declaração coloca o Planalto em rota de colisão diplomática com a política americana para a região.

Durante a passagem por Nova York, Lula também se reuniu com o prefeito Zohran Mamdani. Segundo o relato divulgado pelo governo, os dois conversaram sobre democracia, combate ao extremismo, desinformação e políticas sociais. O encontro foi apresentado por Celso Amorim como uma “conversa de pai para filho”, em referência à proximidade política entre os dois. As falas de Lula sobre Trump, Rubio e Venezuela, porém, deram à viagem um peso eleitoral e geopolítico maior.