Lula decidiu não ir ao debate da TV Globo marcado para quinta-feira (1º), o último antes do primeiro turno de domingo, e a CBN, em reportagem de Rany Veloso atualizada nesta quarta, ouviu fontes da campanha dizendo que a ausência já está batida e só seria revista se surgisse um fato novo, com o horário, o mesmo do debate, reservado para uma entrevista ao podcast Flow, versão que a Exame ainda tratava como negociação em aberto sobre qual programa receberia o presidente e que o SBT, na terça, descrevia como a hipótese de um pool de podcasts no lugar do Flow sozinho, de modo que o que as três redações fecham é a cadeira vazia na Globo, e o que a CBN fecha em cima disso é o destino do horário.

O convite da emissora, segundo o SBT, foi a quatro nomes, Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, pelo critério da representação dos partidos no Congresso depois de 2022, e a Exame situa o começo às 21h30, noite em que, pelo relato da campanha à mesma Exame, o petista seria a vidraça, porque os demais são de centro-direita e o núcleo teme o desgaste a três dias do voto, argumento que a CBN também registra nos bastidores e que Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha, já tinha enunciado na segunda (28) de outro jeito, ao dizer que Lula quer enfrentar Flávio, mas que o formato, com longos intervalos de espera entre as respostas, poderia prejudicá-lo, e que a campanha trabalha para deixar o confronto direto a um eventual segundo turno.

Flávio, do outro lado, confirmou presença no fim de semana e desafiou o presidente a aparecer, com a frase, registrada pela CBN, de que gostaria de esfregar verdades na cara dele, e nesta quarta o candidato do PL não tem agenda pública, fica em Brasília gravando e se preparando para o encontro de quinta, enquanto a explicação que o Planalto oferece para a falta é a pausa do debate e uma queixa, relatada pela Exame, de que a mediação da Globo seria leniente com ataques, expectativa de esperar cerca de vinte minutos pela palavra e responder uma sequência de críticas num intervalo curto.

O que o eleitor vê, a três dias de escolher, é o presidente que diz querer o adversário tirando o corpo do último debate da maior emissora e sentando, no mesmo horário, num estúdio em que escolhe o formato, a pergunta e o corte, e deixando na Globo a cadeira que Flávio já disse que vai ocupar, com Caiado e Cury no mesmo palco, de sorte que o segundo turno que a campanha reserva para o confronto só existe se domingo não resolver, e a quinta-feira, essa, já foi resolvida por ele.