EMBAIXADOR EM MADRI PÔS A ESTRUTURA DO ITAMARATY NA MUDANÇA DO LULINHA
Mensagens no celular de Roberta Luchsinger mostram Orlando Leite Ribeiro oferecendo funcionária da embaixada, e o Itamaraty confirma a ajuda com os colégios
O fato está nas mensagens, e não numa versão de rede, porque a coluna de Andreza Matais no Metrópoles publicou nesta quarta (30) o que foi recuperado no celular da lobista Roberta Luchsinger: o então embaixador do Brasil em Madri, Orlando Leite Ribeiro, ofereceu o aparato da embaixada para a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e da mulher dele, Renata Abreu Moreira, para a capital espanhola em meados de 2025, mudança que a própria coluna já tinha situado em junho do ano passado, com plano de ficar pelo menos dois anos, e que Luchsinger organizou e pagou.
Em 26 de março de 2025, depois de receber uma gravata que Roberta tratou como “só uma lembrança nossa”, o embaixador escreveu às duas: “está sendo um prazer ajudá-las no processo de instalação em Madri, continuem contando comigo para o que for preciso”, e num áudio foi além do cumprimento, ao dizer que, escolhidos os colégios de uma lista, a embaixada arrumaria a agenda e mandaria uma funcionária acompanhar, “estou aqui inteiramente às ordens”, oferta que as mensagens mostram sendo usada numa visita em que Roberta pergunta se marcariam também a universidade e se a pessoa da embaixada serviria de intérprete, além de uma mensagem dela, a caminho de Salamanca, perguntando ao embaixador como tratar o Manuel, no mesmo fio em que a coluna registra a intermediação de um encontro com o reitor da Universidade de Salamanca e a indicação de bairros, entre eles La Moraleja.
Houve também a conversa de 30 de junho de 2025 em que o embaixador teria oferecido uma van da embaixada para a compra de móveis, e é nesse ponto que o Itamaraty responde e ao mesmo tempo confirma o resto, porque a nota diz que não houve cessão de veículo, ao contrário da interpretação daquela conversa, e que o setor educacional da embaixada prestou apoio à brasileira justamente por dispor dos contatos das escolas locais, ou seja, o carro o ministério nega, e a funcionária, a agenda e a lista de colégio o ministério admite.
O que sobra, depois da negativa do veículo, é o embaixador tratando a instalação particular do filho do presidente, bancada por uma lobista cujo celular está na perícia da Polícia Federal, como assunto da representação brasileira, com funcionária escalada para acompanhar visita e com a frase escrita por ele mesmo, de que podiam contar com ele para o que fosse preciso, e isso não é leitura de um áudio cortado: é o texto do diplomata, a confirmação do Itamaraty sobre os colégios e a conta que quem pagou a mudança, segundo a coluna, não foi o filho do presidente, foi Roberta Luchsinger.

