O governo Lula abriu formalmente o procedimento que pode levar à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. A medida responde às sobretaxas americanas de 25% e 12,5%, que podem alcançar conjuntamente 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros e, segundo o MDIC, atingem cerca de US$ 6,6 bilhões das exportações nacionais.

A Camex iniciou a análise para verificar se as tarifas de Donald Trump justificam contramedidas proporcionais. A lei permite elevar impostos sobre produtos americanos, suspender concessões comerciais, rever benefícios e restringir importações de bens ou serviços. Lula afirma que o Brasil precisa demonstrar força e que “não é pouca coisa”, enquanto o Planalto classifica as medidas dos EUA como arbitrárias.

Apesar do tom de retaliação, nenhuma contratarifa brasileira entrou em vigor. O Itamaraty notificou Washington e abriu consultas para tentar evitar a escalada, e representantes dos dois governos têm nova reunião prevista para 31 de agosto. A reciprocidade funciona, neste momento, como pressão de negociação; se avançar para tarifas, poderá proteger setores exportadores, mas também encarecer insumos americanos e provocar nova resposta de Trump.