A campanha de Flávio Bolsonaro preparou um novo vídeo para explorar a relação histórica de Lula com o chavismo venezuelano. A peça recupera encontros e declarações do petista sobre Nicolás Maduro, os financiamentos do BNDES para exportações de serviços brasileiros à Venezuela e a dívida deixada pelo país. O objetivo eleitoral é apresentar essa aproximação como exemplo das escolhas internacionais feitas pelos governos do PT.

O personagem central é Maximilien Arveláiz, ex-embaixador da Venezuela no Brasil e integrante do governo de Hugo Chávez, que anos depois participou da produção do documentário Lula, dirigido por Oliver Stone e Rob Wilson. A campanha também recupera trechos das delações dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, segundo os quais Arveláiz atuava como interlocutor na cobrança de serviços prestados à campanha de Chávez em 2012.

Os vínculos políticos e profissionais citados possuem registros públicos, assim como a inadimplência venezuelana em operações garantidas pelo Fundo de Garantia à Exportação. Isso não demonstra, isoladamente, que Lula tenha participado de pagamento ilícito ou cometido crime relacionado ao documentário. Trata-se de uma peça de campanha que reúne fatos distintos para construir uma narrativa política; caberá à campanha petista responder sobre a escolha do produtor, a relação com Maduro e o prejuízo assumido pelo fundo garantidor brasileiro.