LULA ASSINA O FIM DAS BETS A NOVE DIAS DA ELEIÇÃO E VIRA PIADA: “É MUITA OUSADIA” TIRAR O PATROCÍNIO DE CORINTHIANS E FLAMENGO
Medida provisória manda os sites de apostas saírem do ar em 6 de outubro. Antes da assinatura, o humorista Maurício Meirelles já ironizava o impacto nos clubes e nos influenciadores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta sexta-feira (25), em cerimônia em São Paulo, uma medida provisória que proíbe as bets no Brasil, a nove dias do primeiro turno em que disputa a reeleição, segundo o Valor Econômico. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tratou as apostas como uma “doença” e um problema de saúde pública e disse que a proibição é geral, inclusive para a publicidade. Os apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para sacar o saldo, e os sites e aplicativos saem do ar em 6 de outubro, de acordo com o ministro.
Segundo a CBN e O Globo, o pacote atinge tanto os cassinos on-line, como o jogo do tigrinho, quanto as apostas esportivas de cota fixa, e vem acompanhado de um projeto de lei que cria crimes para quem operar bets no país. A BBC News Brasil lembra que a MP vale de imediato, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias. Se não for votada, perde a validade e as bets podem voltar a funcionar.
A medida virou piada antes mesmo de ser assinada. Em vídeo publicado na quinta-feira (24), o humorista Maurício Meirelles chamou de “muita ousadia” tentar ganhar a eleição “tirando os patrocinadores de Corinthians e Flamengo” e brincou que o presidente quer tirar Arrascaeta do Flamengo “pra ver se o Flávio não ganha no primeiro turno”. Ele também ironizou que o fim das bets vai “trazer os influenciadores pro mercado de trabalho” e perguntou se o público imagina Carlinhos Maia “tendo que construir prédio”.
A piada toca num ponto real. Segundo O Globo, a proibição deve tirar receita dos clubes patrocinados pelas empresas de apostas, e o governo pretende anunciar, provavelmente depois das eleições, medidas de amparo aos times, como crédito facilitado e alívio de dívidas. Para o professor da USP Pablo Ortellado, ouvido pela BBC News Brasil, a proibição tem forte apelo popular e pode ter impacto numa eleição apertada, mas revela um certo “desespero” de Lula diante das pesquisas.

