LUCHSINGER DIZ QUE PEDIRAM DINHEIRO A GOVERNOS DO PT PARA O FILME DE OLIVER STONE
Em mensagem de abril de 2024, a lobista conta que usavam o nome de Lula na captação e que o presidente odiava isso
A lobista Roberta Luchsinger escreveu em abril de 2024 que o empresário Marcelo Bittencourt e um homem identificado só como Zé estavam indo aos estados governados pelo PT para captar dinheiro para o documentário de Oliver Stone sobre Lula. A mensagem, enviada ao ex-assessor do senador Weverton Rocha, Gustavo Gaspar, com quem ela tinha um relacionamento na época, diz que Lulinha, Fábio Luís Lula da Silva, acabara de contar isso a ela, e completa que estavam captando muito dinheiro usando o nome do presidente e que ele odiava isso.
No mesmo texto, Luchsinger afirma que Lula achou o filme uma bosta, pediu que ela assistisse e depois fosse falar com ele, e encerra com a frase “coisas de Zé”. Em março de 2024, numa conversa com o próprio Bittencourt, ela pede material para sondar um apoio do governo do Maranhão, e ele responde que vai mandar o que já tinha enviado aos outros parceiros, inclusive um texto sobre a cota do filme em que um investimento de US$ 300 mi daria dois ingressos para uma estreia com 250 pessoas, na presença de Lula e de Oliver Stone, enquanto US$ 500 mil dariam quatro convites no Brasil e dois para o Festival de Cannes e US$ 1 milhão ampliaria essa presença, com espaço para o apoiador se apresentar como patrocinador. Em julho de 2024, ao falar com o então embaixador do Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, ela apresenta Bittencourt como o financiador do filme de Oliver Stone sobre Lula.
As mensagens também mostram Lulinha tratando da organização do documentário no grupo Musaranhos, com Luchsinger e Kalil Bittar, em março de 2024, quando ele diz que era o documentário de Oliver Stone, que toda quinta-feira trocava correspondência entre o diretor e o pai, então preso, e que fazia a ponte com Fernando Morais, biógrafo de Lula e consultor da produção. A coluna de Andreza Matais no Metrópoles publicou o material nesta sexta, 9, no mesmo dia em que a Veja revelou um áudio atribuído a Daniel Vorcaro sobre dinheiro para o mesmo filme operado pelo Instituto Lula, o que coloca o filho do presidente e a rede da lobista no centro da captação que ela própria descreveu como uso do nome de Lula.

