KASSIO PODE DECIDIR SOZINHO A LIMINAR QUE TIRA BOLSONARO DA PRISÃO
A revisão está no gabinete dele, a liminar de soltura cabe ao relator, e a coluna de Andreza Matais diz que a ala pró-Moraes aposta que ele vai aprontar no caso Bolsonaro
A defesa de Jair Bolsonaro protocolou em 25 de setembro uma nova revisão criminal no Supremo para anular a condenação de 27 anos e 3 meses na trama golpista e, já, suspender a execução da pena. A ação foi distribuída na noite de quarta (30) ao ministro Kassio Nunes Marques, porque ele relatou a revisão anterior, apresentada em maio e arquivada na semana passada. Assinam Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser, os mesmos advogados do processo, e também Flávio Bolsonaro, que entrou na causa como advogado. Bolsonaro está em prisão domiciliar desde março.
No Os Pingos nos Is de quinta, André Marsiglia explicou o rito. Cabe a Nunes Marques, sozinho, decidir se suspende a pena e solta Bolsonaro agora, até o plenário julgar a revisão. Ele disse que a defesa colocou uma bomba nas mãos do ministro, e que Kassio tem um escudo institucional que os adversários não podem ignorar. Até a manhã desta sexta, não havia despacho.
A coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, publicada nesta sexta, diz que o próximo movimento a confrontar os ministros deve sair desse gabinete. A ala pró-Moraes aposta que Kassio “vai aprontar”. No toma lá dá cá em que a coluna descreve a Corte, ele vê do outro lado a exposição das relações com Daniel Vorcaro, e ninguém descarta, entre esses ministros, que a resposta venha no caso Bolsonaro, com uma decisão que abra caminho para anular a condenação. O pedido, escreve ela, dá a Kassio uma carta no tabuleiro justo quando se discute até onde vão as apurações contra integrantes do tribunal.
A mesma coluna já tinha revelado conversas que sugeriam o pagamento de R$ 500 mil ao filho do ministro, motivo que ele usou para se declarar impedido na sessão sobre Alexandre de Moraes, e a “Turma do KN”, iniciais dele, em mensagens com Vorcaro. Essa turma aparece ligada a um contrato de R$ 427 milhões, condicionado ao êxito em ações que poderiam destravar cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios, com desfecho no TRF-1 e no Supremo. Nas conversas, comemoram um voto de KN. O ministro já afirmou que o filho não recebeu dinheiro de Vorcaro e que nunca votou a favor do Banco Master. A defesa de Bolsonaro, no mérito, usa argumentos que o próprio Moraes apresentou no Master, o de que não houve tempo para analisar a íntegra das provas, no caso dele depois que a PF achou no celular de Vorcaro mensagens atribuídas ao ministro e a referência ao contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes.

