KASSIO FICA COM O PEDIDO DE BOLSONARO E A ALA DE MORAES APOSTA QUE ELE VAI APRONTAR
Andreza Matais escreveu que o próximo movimento no Supremo parte do gabinete do ministro, relator da revisão que pede para suspender a pena de 27 anos e 3 meses. A defesa usa argumentos do próprio Moraes no caso Master
O próximo movimento no Supremo para confrontar os ministros deve sair do gabinete de Kassio Nunes Marques. A coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, publicada na virada para este sábado (3), diz que está com ele o pedido de Jair Bolsonaro de revisão de pena. A CNN já tinha registrado na quinta (1º) que Kassio foi designado relator porque também relata a primeira revisão criminal, apresentada no início do ano. Na petição nova, a defesa pede liminar para suspender a prisão até o julgamento e, no mérito, a anulação da condenação de 27 anos e 3 meses. Os advogados querem anular as decisões que deram origem às investigações no inquérito das fake news, invalidar as provas e os depoimentos colhidos desde maio de 2025 e reabrir a instrução. A base do pedido são os argumentos que Alexandre de Moraes apresentou no caso Master, na sessão de 15 de setembro.
A leitura da coluna sobre o clima interno é que a ala pró-Moraes aposta que Kassio “vai aprontar”. No que Andreza descreve como o toma lá dá cá em que o Supremo se transformou, Kassio vê do outro lado a exposição das relações com Daniel Vorcaro, e ninguém naquele grupo descarta que a resposta venha justamente no caso Bolsonaro, com uma decisão que abra caminho para anular a condenação do ex-presidente. O pedido, escreve a coluna, dá a Kassio uma carta no tabuleiro no momento em que o nome dele aparece no Master e se discute até onde as apurações contra integrantes do tribunal devem avançar.
O ministro se declarou impedido de votar na sessão que definiria o destino de Moraes depois que a mesma coluna revelou conversas que sugeriam o pagamento de R$ 500 mil ao filho dele. A coluna também revelou a “Turma do KN”, referência às iniciais do ministro, citada em conversas com Vorcaro, ligada a um contrato de R$ 427 milhões condicionado ao êxito em ações que poderiam destravar cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios, com desfecho no TRF-1 e no próprio Supremo. Nas conversas, comemoram um voto de KN no tema. O que está posto neste sábado, então, não é uma soltura assinada. É a revisão da pena de Bolsonaro na mesa do ministro que a ala de Moraes espera ver reagir, usando contra a condenação os argumentos que o próprio Moraes levou ao caso Master.

