PRÉ-CANDIDATO DO PSOL EVITA CONDENAR ESTUPROS ATRIBUÍDOS AO HAMAS E DIZ QUE APOIA “TODAS AS FORMAS DE RESISTÊNCIA”
Jones Manoel, historiador e pré-candidato a deputado federal por Pernambuco, foi confrontado com depoimento de ex-refém israelense sobre violência sexual. Respondeu que não é “sommelier de resistência” e que apoia a luta palestina em qualquer forma. Depois da repercussão, ameaçou processar quem afirmar que ele defende violência contra mulheres.
O pré-candidato do PSOL a deputado federal por Pernambuco, Jones Manoel, protagonizou um episódio polêmico durante debate no podcast Fala Ordinário, no dia 22 de julho. Confrontado pelo vereador Eduardo Moura (Novo-Recife) com o depoimento de uma ex-refém israelense sobre estupros e violência sexual praticados por membros do Hamas, o historiador e influenciador comunista evitou condenar de forma direta os crimes e reafirmou apoio a “todas as formas de resistência” do povo palestino.
Moura reproduziu trecho do relato de Ilana Gritzewsky, sequestrada no kibutz Nir Oz em 7 de outubro de 2023 e mantida em cativeiro na Faixa de Gaza. A vítima descreveu ter sido estuprada por dezenas de homens, engravidado e ter sido submetida a aborto forçado para que as agressões continuassem. Em seguida, o vereador perguntou diretamente: “Você defende o estupro de mulheres, o estupro grupal, inclusive de mulheres e de bebês, Jones Manoel?”
A RESPOSTA QUE EVITOU A CONDENAÇÃO CLARA
Jones Manoel respondeu: “A gente apoia todas as formas de resistência do povo palestino. Eu não sou sommelier de resistência, não. A forma que o povo palestino quiser lutar pela sua libertação, ele luta. A gente apoia a luta palestina pela libertação. Eu tenho um compromisso de vida com a libertação da Palestina. Esse compromisso nunca vai ser abrandado, não.” 
Em outro momento, o pré-candidato afirmou defender “a Palestina livre do rio ao mar” e o fim do Estado de Israel. A ausência de uma condenação inequívoca aos relatos de violência sexual gerou forte repercussão em veículos e nas redes sociais, especialmente no campo conservador.
APÓS A REPERCUSSÃO, AMEAÇAS DE PROCESSO
Com a viralização do trecho, Jones Manoel passou a afirmar que foi alvo de distorção e que não defende violência sexual. Em manifestações posteriores, disse que “ninguém apoia eventuais violências sexuais do Hamas” e ameaçou acionar judicialmente quem vincular sua imagem à defesa de estupro ou violência contra mulheres. No vídeo em circulação, ele aparece pedindo desculpas em tom irritado e afirmando que o material será encaminhado à equipe jurídica.
O CONTEXTO IDEOLÓGICO E A CONTRADIÇÃO
Jones Manoel é historiador, youtuber com centenas de milhares de seguidores e militante de longa data no campo comunista. Foi candidato a governador de Pernambuco pelo PCB em 2022 e, em 2026, disputa o PSOL para disputar uma vaga na Câmara. Sua trajetória é marcada pela defesa irrestrita da causa palestina e pela crítica a Israel.
O episódio expõe a dificuldade de setores da esquerda radical em estabelecer limites éticos claros quando o tema é o Hamas. Relatórios de organizações internacionais e depoimentos de sobreviventes documentaram o uso sistemático de violência sexual nos ataques de 7 de outubro. A recusa em condenar esses atos de forma direta, substituindo-a por uma formulação genérica de apoio à “resistência”, é o ponto central da polêmica.

