“ESPERO QUE O ASSASSINO SEJA BRANCO E CRISTÃO”: ATIVISTA DE BERLIM E O SILÊNCIO SELETIVO DA ESQUERDA
No ato pelas vítimas do atentado à Parada LGBT de Berlim, militante lamentou publicamente que o autor não tivesse a cor e a religião “certas” para a narrativa. O caso é comparado à recusa de Jones Manoel em condenar claramente os estupros atribuídos ao Hamas, enquanto chama Israel de “nazisionista”.
Uma ativista subiu ao microfone em um ato em memória das vítimas do atentado à Parada LGBT de Berlim e declarou, em voz alta, que esperava que o assassino fosse branco e cristão. Preferia que não fosse muçulmano. O ataque, ocorrido no sábado 25 de julho, no encerramento da maior parada LGBT da Europa, deixou uma mulher morta e 29 feridos.
O autor foi identificado como Abdul Ballout, jovem de 21 anos, cidadão alemão de origem libanesa, já conhecido da inteligência alemã por radicalização islamista e por tentativa de ingressar no Estado Islâmico. Ele dirigiu uma van contra a multidão e, em seguida, atacou pessoas com um facão. O ministro do Interior alemão classificou o episódio como atentado islamista quase imediatamente. Mesmo assim, no dia seguinte, diante das velas e das flores, o que incomodou a militante não foram as vítimas, mas a ficha do assassino.
A DOENÇA DO UNIFORME ERRADO
O episódio é apontado como retrato de um padrão: para parte da esquerda, o crime só é tratado como crime quando o criminoso veste o “uniforme errado”. Quando o autor é branco, cristão ou de direita, a culpa vira coletiva na mesma hora. Quando o autor é islamista, surgem o “contexto”, a “islamofobia” e o silêncio.
A mesma lógica foi observada no Brasil, em debate realizado em Recife. O vereador Eduardo Moura (Novo) exibiu o depoimento de Ilana Gritzewsky, israelense sequestrada pelo Hamas, que relatou violências sexuais sofridas em Gaza. Perguntou diretamente a Jones Manoel, historiador e pré-candidato do PSOL, se ele condenava aquilo.
Jones não começou a resposta condenando o estupro como arma de guerra. Limitou-se a falar de acusações contra soldados israelenses, repetiu críticas a Israel e afirmou ser favorável a “todas as formas de resistência” do povo palestino. Disse que não é “sommelier de resistência” e que apoia a forma que o povo palestino escolher para lutar. Depois, nas redes, tentou suavizar dizendo que “ninguém apoia eventuais violências sexuais do Hamas”, mas mantendo o apoio irrestrito à “luta pela libertação”.
A MESMA LÓGICA EM DOIS CONTINENTES
Nos dois casos — a ativista de Berlim e o discurso de Jones Manoel —, o que decide se um crime é crime não é a vítima no chão. É o lado político ou identitário de quem a derrubou. Quando o autor carrega a bandeira “certa”, relativiza-se, contextualiza-se ou se cala. Quando carrega a bandeira “errada”, a condenação é imediata e coletiva.
O texto que circula nas redes classifica o fenômeno como “esquerda psiquiátrica” e “seita”: uma visão de mundo que só enxerga pecado no infiel e que mede a gravidade do crime pelo uniforme de quem o comete, e não pela dor de quem sofreu.

