O advogado Jeffrey Chiquini, eleito deputado federal pelo Novo do Paraná com 425.399 votos, segundo o g1, publicou no Instagram na quinta-feira, 15 de outubro, um vídeo em que diz que “caiu a casa” do jornalista Guilherme Amado e afirma que ele “fazia serviço pro Vorcaro”. Na gravação, Chiquini mostra o print de uma conversa de 3 de agosto de 2025 entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro, na qual Vorcaro escreve “Tem que pegar o Platô e moer esse Cappelli” e, em seguida, “Isso o amado não faz não?”, e sustenta que o trecho prova que o jornalista recebia encomendas de matérias.

A conversa exibida por Chiquini coincide com mensagens reveladas no mesmo dia pelo UOL, que mostrou como Vorcaro influenciava publicações como PlatôBR, Brazil Journal e IstoÉ por meio de Carneiro, sócio do PlatôBR por sua empresa Foone e assessor de imagem do banqueiro, inclusive com o pedido para que o site atacasse Ricardo Cappelli, então presidente da ABDI. A reportagem do UOL, porém, não cita Guilherme Amado, que assina coluna no PlatôBR desde dezembro de 2024, e nenhum veículo havia noticiado até a tarde desta quinta-feira que o jornalista tenha recebido pedidos de Vorcaro ou atuado a mando dele, de modo que a acusação se apoia apenas na menção a “o amado” no print divulgado pelo deputado eleito.

Chiquini, que ganhou projeção como advogado de Filipe Martins, ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, também acusa Amado de ter publicado uma matéria falsa usada para prender seu cliente. Em outubro de 2023, a coluna de Amado no Metrópoles informou que Martins teve a entrada registrada em Orlando, nos Estados Unidos, em 30 de dezembro de 2022, e o suposto embarque foi um dos elementos citados pelo ministro Alexandre de Moraes ao decretar a prisão preventiva de Martins em fevereiro de 2024.

Em outubro de 2025, o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) concluiu que Martins não entrou no país naquela data e afirmou que Moraes citou um registro errado, que segue sob investigação, enquanto o Metrópoles corrigiu o texto para dizer apenas que constava o registro de entrada. Amado, por sua vez, nega ter feito reportagem falsa e afirmou à Revista Oeste que se baseou em um documento oficial do governo americano, sem imaginar que houvesse fraude, e que fez a correção quando surgiu a confirmação de que Martins não havia viajado.