Coube ao subprocurador-geral Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do STF, o voto que desempatou o julgamento e livrou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, de uma apuração preliminar no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) nesta sexta-feira (25). Segundo a coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles, o colegiado rejeitou por 5 votos a 4 a abertura da apuração sobre a atuação de Gonet no caso Master e também negou os pedidos para afastá-lo dos processos. O placar estava empatado em 4 a 4 quando Nicolao, vice-presidente do conselho e responsável por conduzir a sessão na ausência de Gonet, votou por último e acompanhou o relator, Francisco Sanseverino, de acordo com o g1.

Ao justificar o voto, Nicolao afirmou que não houve prevaricação e que o PGR não tinha como prever que uma pessoa encontrada em um evento social em 2024 se tornaria alvo de investigação criminal dois anos depois. “É inviável, inadmissível”, disse, segundo o g1. “Todos os atos que têm sido praticados pelo procurador-geral não indicam nada que permita extrair uma possível prática, um possível comportamento que leve a satisfação de interesse ou sentimento pessoal dele ou de outrem”. Com ele votaram Sanseverino, Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho e Hindenburgo Chateaubriand.

Do outro lado ficaram quatro conselheiros que queriam designar um subprocurador para aprofundar o caso. A subprocuradora Ana Borges Santos afirmou haver elementos para caracterizar, em tese, o crime de prevaricação, porque Gonet se manifestou pedindo a nulidade de um relatório da PF em petição na qual ele próprio era citado várias vezes. Samantha Chantal Dobrowolski apontou falta de autocontenção e de ética funcional e disse que “ninguém é juiz nem promotor da própria conduta”. Janice Ascari e José Adônis Callou de Araújo Sá completaram a divergência. O procedimento foi aberto após menções a Gonet em mensagens do celular de Daniel Vorcaro e da divulgação de uma foto do PGR em evento financiado pelo banqueiro em Londres, em abril de 2024.

Com o resultado, Gonet segue no comando das investigações do Master no Supremo, e o pedido do partido Novo é arquivado no âmbito do conselho. O desfecho por um único voto, dado pelo irmão de um ministro do STF que atua em temas ligados ao caso, alimenta as críticas da oposição de que as instituições se protegem mutuamente no maior escândalo financeiro do país, a nove dias do primeiro turno.