A China mobilizou mais de 100 embarcações da Marinha do Exército de Libertação Popular e da Guarda Costeira no Pacífico Ocidental, segundo denúncia do governo de Taiwan em 3 de novembro. O secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional taiwanês, Joseph Wu, divulgou as posições dos navios em mapa publicado nas redes sociais, com concentração principal a leste da ilha e no Mar da China Meridional.

A operação envolve unidades de três dos cinco comandos regionais das Forças Armadas chinesas, além do grupo de combate liderado pelo porta-aviões Liaoning, que opera no Mar das Filipinas. Monitoramento regional também aponta a presença do porta-aviões Fujian, o mais moderno da frota chinesa, no Mar da China Meridional. Essa disposição amplia a capacidade de Pequim de realizar operações simultâneas em diferentes áreas do Pacífico e aumenta a pressão sobre a primeira cadeia de ilhas.

A pressão militar cresceu também pelo ar. Em 3 de novembro, Taiwan identificou 49 aeronaves militares chinesas em apenas 24 horas — o maior registro diário de 2026. Dessas, 31 cruzaram a linha mediana do Estreito de Taiwan e entraram nas zonas de identificação de defesa aérea da ilha, nas regiões central, sudoeste e leste. O Ministério da Defesa taiwanês respondeu com o acionamento de aeronaves, navios e sistemas de mísseis costeiros.

Joseph Wu classificou a China como um “grande valentão” e afirmou que Taiwan permanece vigilante. “Não vamos provocar, mas também não vamos ceder a nenhuma pressão”, escreveu. O governo taiwanês considera a concentração de forças uma tentativa de intimidação por meio de táticas de zona cinzenta, sem anúncio formal de exercícios.

Pequim afirma que as manobras buscam aperfeiçoar a preparação militar em condições reais de combate e não têm como alvo um país específico. A China considera Taiwan parte de seu território e mantém aberta a possibilidade de usar força militar para assumir o controle da ilha, que tem cerca de 23 milhões de habitantes e rejeita a reivindicação de Pequim.

A mobilização ocorre em meio a tensões regionais persistentes. Nos dias anteriores, Taiwan já havia mapeado dezenas de navios chineses operando de forma simultânea do sul do Japão até as Filipinas. O movimento reforça a capacidade chinesa de pressionar Taiwan, o Japão e as Filipinas ao mesmo tempo, elevando o nível de alerta em toda a região do Indo-Pacífico.