Daniel Pérez, escolhido por Donald Trump para comandar a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, afirmou que não interferirá na eleição brasileira e trabalhará com quem vencer em outubro. Em entrevista, o republicano disse acreditar em um acordo comercial justo para os dois países e prometeu negociar tarifas com base nos interesses americanos. Pérez já foi aprovado pelo Senado dos Estados Unidos, mas ainda aguarda o agrément do governo brasileiro para assumir formalmente o posto em Brasília.

Na avaliação do Dr. Sandro Gonçalves, a fala é uma cortina de fumaça diplomática e não significa que Trump seja indiferente ao resultado. Para ele, o presidente americano mantém preferência política por Flávio Bolsonaro e deseja a derrota de Lula nas urnas, ainda que o futuro embaixador precise declarar publicamente que dialogará com qualquer governo eleito. Essa é uma interpretação política do Dr. Sandro: até o momento, a Casa Branca não anunciou apoio oficial a Flávio nem apresentou prova pública de um plano para retirar Lula do poder.

A declaração de Pérez cumpre uma função prática: preservar um canal bilateral independentemente do resultado eleitoral, reduzir a resistência do Itamaraty à sua chegada e abrir espaço para discutir comércio e tarifas. Um embaixador representa os interesses de seu país diante do governo em exercício; por isso, disposição para negociar não equivale a neutralidade ideológica de Trump. Ao mesmo tempo, qualquer mudança no Planalto deve decorrer do voto dos brasileiros, e não de interferência estrangeira.