Imprensa estrangeira expõe rombo fiscal de quase 10% do PIB que Lula herda de si mesmo
O Wall Street Journal, o Financial Times e a CNBC publicaram análises entre 26 e 27 de outubro de 2026 que expõem o desequilíbrio fiscal que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdou de seu próprio governo para o quarto mandato.
Os veículos relacionaram a derrocada do mercado brasileiro ao déficit próximo de 10% do PIB e à ausência de um plano concreto para conter a dívida pública. O Financial Times estimou o déficit em 9,5% do PIB e a dívida em 83% do PIB, nível considerado elevado para um país emergente.
Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno, em 25 de outubro, por 51,8% a 48,2%. Flávio havia liderado o primeiro turno, o que provocou valorização dos ativos brasileiros. A reação veio logo na abertura da Bolsa: o Ibovespa caiu mais de 10% nos primeiros minutos, acionou o circuit breaker e fechou em baixa de 13,9%, o pior resultado diário desde o início da pandemia de covid-19.
O editorial do Wall Street Journal registrou que a volta de Lula surpreendeu os investidores porque a economia “patina” e os salários não acompanham a inflação. O jornal apontou uma “enxurrada de gastos” após o primeiro turno como pista de como o presidente se manteve no cargo. Pelas contas do WSJ, o Brasil deve fechar o ano com déficit perto de 10% do PIB, acima de 8% em cada um dos quatro anos do mandato atual.
O Financial Times tratou o resultado como “um acerto de contas fiscal” e afirmou que Lula está sob pressão para anunciar cortes no Orçamento. Analistas citados nos veículos defendem que um plano fiscal crível exige tanto melhor arrecadação quanto cortes de gastos. As promessas de campanha, incluindo perdão de dívidas e aumento de benefícios, foram estimadas em cerca de R$ 298 bilhões pela Instituição Fiscal Independente do Senado.
A dívida bruta do governo geral já ultrapassa 82% do PIB, com crescimento de mais de 10 pontos percentuais durante a gestão Lula. Agências de risco como Fitch e Moody’s alertaram para os riscos de a dívida continuar subindo no quarto mandato, especialmente com mais de 90% das despesas fixadas por lei.
O novo mandato começa em janeiro de 2027. Os textos estrangeiros reforçam que o mercado já cobrou o preço da falta de compromisso com o ajuste fiscal, e que a continuidade do modelo de expansão de gastos sem contrapartida de receita ou corte estrutural mantém o país em trajetória de endividamento crescente.

