O presidente da Argentina, Javier Milei, recusou-se a pedir desculpas pelas críticas dirigidas a Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes durante sua participação na convenção nacional do Partido Liberal, em São Paulo. Fontes da Casa Rosada confirmaram à imprensa argentina e a veículos brasileiros que o governo de Buenos Aires não pretende apresentar qualquer retratação e sustenta as declarações feitas pelo líder libertário.

O DISCURSO NA CONVENÇÃO DO PL

No sábado, 25 de julho de 2026, Milei discursou ao lado do senador Flávio Bolsonaro, cuja candidatura à Presidência foi oficializada no evento. Em tom duro, o argentino chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”, e classificou os aliados do petista como “socialistas ladrões”. Também atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem se referiu como “lixo careca”, após ter sido impedido de visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Milei comparou a negativa à situação de Lula, que recebeu dirigentes estrangeiros quando estava preso, incluindo o então presidente argentino Alberto Fernández.

REAÇÃO DIPLOMÁTICA DO GOVERNO LULA

O Itamaraty classificou as declarações como “sem precedentes” e “lamentáveis”. O ministro Mauro Vieira convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para “transmitir a repulsa” do governo brasileiro e cobrar explicações. Simultaneamente, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado a consultas em Brasília — medida diplomática que sinaliza forte descontentamento. O governo Lula considerou as falas uma afronta direta às autoridades e instituições brasileiras.

ARGENTINA NÃO RECUA

Segundo o jornal *La Nación* e fontes da Casa Rosada ouvidas por veículos como a CNN Brasil, não haverá pedido oficial de desculpas. Uma fonte do governo argentino afirmou: “Não haverá pedido de desculpas”. Outra especulou que o silêncio poderia servir para desescalar a tensão. Mesmo após a reação brasileira, Milei voltou a criticar o governo brasileiro em entrevistas, acusando-o de financiar uma “campanha anti-argentina”.

DESGASTE IDEOLÓGICO ENTRE OS DOIS PAÍSES

O episódio aprofunda o distanciamento entre os governos de ideologias opostas. Milei, aliado histórico de Jair Bolsonaro e crítico do socialismo, reforçou seu apoio a Flávio Bolsonaro e à “onda azul” na América do Sul. Do lado brasileiro, a reação oficial busca preservar a imagem institucional, enquanto a oposição bolsonarista celebra a postura do argentino como defesa da verdade contra o que considera abusos do atual governo e do STF. A crise é apontada por analistas argentinos como uma das mais graves entre os dois países nas últimas décadas.