Flávio Bolsonaro telefonou ao irmão Eduardo para pedir que ele reduza ataques públicos contra aliados e evite uma nova crise com Michelle Bolsonaro. Segundo fontes ouvidas pela CNN, a iniciativa partiu do candidato presidencial após Eduardo compartilhar e endossar um vídeo contrário à candidatura da ex-primeira-dama ao Senado pelo Distrito Federal.

O movimento mostra que Flávio tenta assumir o comando político da família no momento em que sua campanha melhora nas pesquisas. O objetivo imediato é impedir que disputas locais desgastem a candidatura nacional e transmitam ao eleitor a imagem de um grupo incapaz de resolver divergências internas.

Por que Michelle é estratégica

Michelle lidera a corrida ao Senado no DF em levantamento recente e mantém influência especialmente forte entre evangélicos e mulheres — segmentos importantes para reduzir a rejeição de Flávio. Um confronto aberto com Eduardo poderia obrigar lideranças religiosas e eleitoras bolsonaristas a escolher lados.

O episódio também preocupa porque Michelle já teve atritos com Flávio sobre alianças estaduais. Embora os dois tenham procurado demonstrar reconciliação, ataques vindos de Eduardo reabrem a percepção de divisão dentro do núcleo familiar.

A mensagem ao Centrão

Flávio busca palanques e apoios regionais mesmo entre integrantes de União Brasil e PP, partidos que mantêm neutralidade na disputa presidencial. Para negociar com essas forças, precisa demonstrar previsibilidade e capacidade de conter aliados. Uma guerra pública contra Michelle produziria o efeito contrário.

O pedido de moderação não significa rompimento entre os irmãos. Trata-se de uma tentativa de impor disciplina eleitoral: críticas internas podem continuar nos bastidores, mas a campanha quer evitar que sejam transformadas em vídeos e postagens explorados pelos adversários.

A melhora de Flávio nas pesquisas elevou o custo dos erros internos. Quanto mais competitiva se torna a candidatura, maior é a necessidade de preservar Michelle como cabo eleitoral, Eduardo como mobilizador digital e o Centrão como possível fornecedor de palanques. A dúvida é se o pedido será suficiente para interromper uma disputa que já reapareceu diversas vezes.