Flávio abre caminho para Tarcísio em 2030
PEC contra a reeleição e aviso antecipado sobre candidatura reforçam leitura de uma aliança de longo prazo
Uma candidatura agora e outra depois: os movimentos de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas começam a revelar um desenho político capaz de atravessar duas eleições. Antes de anunciar, em dezembro de 2025, que havia sido escolhido por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência, Flávio foi a São Paulo e comunicou Tarcísio. O governador manteve seu projeto de reeleição, mesmo sendo defendido por Gilberto Kassab e por setores do Centrão como alternativa ao Planalto, e depois apareceu ao lado de Flávio na convenção paulista.
O sinal mais forte veio com a PEC apresentada por Flávio para acabar com a reeleição presidencial. Se o texto for aprovado sem regra de transição e valer para o próximo mandato, um eventual presidente Flávio não poderia concorrer novamente em 2030, deixando o caminho aberto para Tarcísio após mais quatro anos no governo de São Paulo. O próprio governador apoiou publicamente a proposta. A mudança, porém, ainda depende de três quintos dos votos, em dois turnos, tanto na Câmara quanto no Senado.
Na avaliação do Dr. Sandro Gonçalves, a sequência sugere que o entendimento pode ter começado no lançamento da candidatura: Flávio conteve a pressão para que Tarcísio o substituísse em 2026, preservou a unidade do campo conservador e sinalizou uma sucessão organizada para 2030. É uma leitura política sustentada pelos movimentos dos dois aliados, mas não há confirmação pública de um pacto formal. Se o plano prosperar, Kassab poderá não ter conseguido impor Tarcísio agora — mas verá o governador chegar à disputa presidencial quatro anos depois, com apoio bolsonarista e sem guerra interna.

