O Flamengo saiu nesta sexta-feira (25) contra a Medida Provisória que tira do ar cassino online e aposta esportiva. No Instagram oficial, o clube escreveu que o Brasil levou anos para regulamentar o mercado, o Congresso aprovou, o governo cobrou taxa e as empresas pagaram para operar na lei. “Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.” A nota separa aperfeiçoar regra de desmontar regra e chama o rasgo de caso de segurança jurídica.

O texto avisa que a caneta não atinge só camisa de time grande. Atinge base, futebol feminino, olímpico, emprego, arena, fornecedor e o imposto que o mercado regulado manda ao Estado. “Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país.” Na sequência, o clube crava: o jogo não acaba com uma canetada. O que acaba é a fatia que o Brasil ainda consegue fiscalizar e tributar. Treze dos vinte clubes da Série A estampam bet na camisa. A Betano paga, segundo a imprensa, R$ 266 milhões ao ano ao Flamengo.

O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, foi à CNN e fez a conta do clube: perda imediata de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões em 2027, “impactos desastrosos” no futebol e no olímpico, sem tempo de estancar a sangria. Lula assinou a MP 1.394 no mesmo dia, em São Paulo, nove dias antes do primeiro turno. Sites saem em 6 de outubro. O Congresso tem 120 dias para manter ou derrubar o texto. O maior clube do país pediu regra dura contra quem descumpre a lei e recusou o desmonte no meio do contrato. A urna lê o calendário. O gabinete lê a nota rubro-negra.