Mensagens recuperadas do celular da lobista Roberta Luchsinger mostram ela afirmando, em dezembro de 2023, que o seu “sócio” era “guloso”. A conversa foi com o ex-secretário de Saúde de Goiânia Quesede Ayres Henrique, segundo o Metrópoles, que revelou o material nesta quinta-feira (24). “Meu sócio é guloso tá”, escreveu Roberta. Quesede respondeu: “Eu também seria” e “No lugar dele né”. De acordo com o jornal, Roberta se refere ao filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como seu “sócio” em diversas mensagens enviadas a terceiros.

A relação com Quesede era de negócios, segundo o Metrópoles. Roberta ajudava o então secretário a liberar recursos do governo federal para a Prefeitura de Goiânia e, em troca, recebia comissões enviadas por contas de terceiros. Quesede se entregou à polícia em dezembro de 2024, investigado por suspeita de desvio de R$ 10 milhões na pasta. Em 8 de novembro de 2024, a lobista cobrou dele um Pix de R$ 100 mil porque “o homem” estava cobrando e iria embarcar. Naquela noite, Lulinha voou para Lisboa e Quesede depositou o valor na RL Consultoria, empresa de Roberta. Outras mensagens, com o motorista da lobista, mandam levar dinheiro “lá no Fábio”.

Lulinha é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) autorizado em 30 de julho pelo ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal, por suspeita de corrupção e tráfico de influência, segundo o g1. A PF apontou que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, repassou R$ 1,5 milhão a Roberta. O caso está em fase de investigação: cabe à PF reunir provas, à Procuradoria-Geral da República decidir se apresenta denúncia e ao STF decidir se abre ação penal. A defesa de Lulinha, feita pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirmou ao Metrópoles que não reconhece a autenticidade das mensagens, que elas não constam dos inquéritos e que o filho do presidente nunca recebeu dinheiro de Roberta.

As novas conversas aumentam a pressão sobre a família presidencial a poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Para a oposição, o tratamento de “sócio guloso” dado por uma lobista investigada no escândalo dos descontos do INSS reforça a cobrança por explicações do Planalto e por um avanço rápido das apurações no Supremo.