Uma delegação de aproximadamente dez funcionários de agências dos Estados Unidos, entre eles representantes do FBI, da DEA, do Homeland Security Investigations (HSI), do Serviço Secreto e da Segurança Diplomática, está em Montevidéu para coordenar ações com autoridades uruguaias no âmbito de um acordo de cooperação em segurança pública de US$ 6,5 milhões no primeiro ano.

O encontro faz parte do primeiro programa estritamente bilateral do tipo entre os dois países, financiado pela Oficina de Assuntos Antinarcóticos e Aplicação da Lei (INL) do Departamento de Estado. Até agora, a assistência americana ao Uruguai ocorria principalmente por meio de programas regionais. O novo formato permite projetos adaptados às necessidades locais.

A delegação se reuniu com o ministro do Interior, Carlos Negro, a cúpula da Polícia Nacional, a Prefeitura Naval, a Fiscalia, as Aduanas e outros órgãos. O objetivo é identificar prioridades antes de definir a distribuição dos recursos e as iniciativas de capacitação, assistência técnica e tecnologia.

Entre os focos principais estão a segurança do Porto de Montevidéu, as fronteiras terrestres e o combate à lavagem de ativos. As autoridades americanas destacam a necessidade de melhorar o intercâmbio de informações e de avançar de sistemas informais, como o WhatsApp, para plataformas de inteligência em tempo real.

O encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA, Chris Andino, afirmou que o valor do acordo está na cooperação permanente, e não apenas no montante financeiro. Ele também alertou para a expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminal brasileira, que, segundo o diplomata, possui a maior presença na região, com forte penetração em sistemas carcerários e fronteiras de países vizinhos. Andino esclareceu que, até o momento, não há informação que confirme uma base de operações estruturada do PCC no Uruguai, mas advertiu sobre suas conexões regionais e financeiras.

O acordo surge em um momento de preocupação com o avanço do crime organizado transnacional. O governo uruguaio, sob o presidente Yamandú Orsi, solicitou maior cooperação dos Estados Unidos em matéria de segurança pública. O programa pode ser estendido nos anos seguintes, sujeito à aprovação do Congresso americano.

A presença de agências americanas no Uruguai reforça a percepção de que o combate ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro exige articulação internacional. No caso do PCC, a ameaça tem origem brasileira e se espalha pela região, o que torna a cooperação entre vizinhos e com potências como os Estados Unidos uma ferramenta relevante para conter o avanço de estruturas criminosas.