Um aliado próximo do presidente Lula foi informado no fim da noite de segunda-feira, 26 de outubro, que Flávio Bolsonaro estava prestes a deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. A informação chegou por WhatsApp às 23h50, segundo a coluna de Lauro Jardim no O Globo.

O alerta veio de um interlocutor argentino. Ele havia recebido comunicação de trabalhadores ligados a sindicatos peronistas sobre um avião Gulfstream da empresa Baires Fly. A aeronave estava programada para decolar do aeroporto de Puerto Iguazú às 2h30 da madrugada de terça-feira com destino a Miami.

No plano de voo constavam os nomes de quatro passageiros: Flávio, a mulher Fernanda e as filhas Luiza e Carolina. O aliado tentou avisar Lula e autoridades, mas a saída efetiva ocorreu na noite seguinte.

Flávio cruzou a fronteira pela Ponte Tancredo Neves por volta das 22h50 de terça-feira, usando passaporte italiano, e embarcou no jato da Baires Fly. O voo fez escala em Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami na manhã de quarta-feira. O senador descumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinava a entrega dos passaportes e a permanência no Brasil em inquérito de lavagem de dinheiro.

A operação contou com apoio logístico do governo argentino de Javier Milei, incluindo escolta e presença de assessores, segundo reportagens locais. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios argentina para esclarecimentos. Flávio chegou aos EUA e divulgou carta agradecendo Milei e Trump, afirmando que liderará a oposição de lá.

O episódio mostra que o governo Lula teve informação prévia sobre o movimento, mas não impediu a saída. A ordem judicial de Moraes, vista por críticos como perseguição política, não foi suficiente para reter o candidato derrotado no território nacional.