EXÉRCITO DOS EUA TREINOU NA AMAZÔNIA COM PERU, CHILE E ARGENTINA, E O BRASIL FICOU DE FORA
O Southern Vanguard 26 reuniu centenas de militares em Tarapoto para combater na selva e o Comando Sul falou em dissuadir ameaças no Hemisfério Ocidental
O Exército do Peru e o Comando do Hemisfério Ocidental do Exército dos Estados Unidos abriram em 8 de setembro, na Escola de Selva de Sauce, em Tarapoto, no departamento de San Martín, o exercício Southern Vanguard 2026, o Vanguardia Sur, pela primeira vez em território peruano, e durante quase duas semanas cerca de quatrocentos militares dos Estados Unidos, do Peru, do Chile e da Argentina treinaram sobrevivência, deslocamento, operação na água e combate em floresta fechada, sob instrutores peruanos e do 551º Regimento de Infantaria americano, até o Comando Sul fechar o balanço, em 28 de setembro, com uma frase que não é deslize de comunicado: a preparação conjunta reforça a capacidade dos parceiros regionais de dissuadir e responder a ameaças de segurança no Hemisfério Ocidental.
A conta da abertura, publicada pelo site Defensa.com, discrimina quem estava em forma, porque o Peru entrou com 251 efetivos da 5ª Brigada de Proteção da Amazônia e das escolas de comandos e de selva, os Estados Unidos com 226, da 82ª Divisão Aerotransportada e da Guarda Nacional de Utah, o Chile com 30 da 1ª Brigada Blindada Coraceros, e a Argentina com três observadores, números que o Comando Sul depois arredondou para cerca de 400 combatentes, e as bandeiras hasteadas na cerimônia, segundo a própria nota do Southern Command, foram quatro: Peru, Estados Unidos, Chile e Argentina, sem a do país que detém a maior parte da floresta e que mantém, em Manaus, o centro de guerra na selva mais antigo do continente.
O nome do comando que coorganizou o exercício já é a doutrina, porque não se trata de um destacamento genérico do Pentágono e sim do U.S. Army Western Hemisphere Command, representado na abertura pelo general de brigada Robert Kincaid, ao lado dos generais peruanos José Chuquillanqui Narvarte e Kenneth Valverde Virhuez, estrutura com que o governo Trump passou a tratar a América Latina e o Caribe como área da segurança nacional americana, e não como pauta de comunicado diplomático, o que a nota de 28 de setembro traduz em verbo militar: readiness to fight and win in the jungle, prontidão para lutar e vencer na selva, interoperabilidade tática, dissuasão.
O que o recorte do ICL apresenta como elemento que “chamou a atenção” é a missão escrita pelo próprio Comando Sul, e o dado que importa ao Brasil é a cadeira vazia, porque enquanto Peru, Chile e a tropa da 82ª aerotransportada passavam dez dias aprendendo a operar juntos debaixo da copa, o governo que responde pela maior Amazônia do mundo não colocou um soldado em Sauce, e o hemisfério que Washington está treinando para defender está sendo montado com quem aparece, não com quem discursa soberania e falta ao exercício.

