Nick Zimmerman, que foi diretor para o Brasil e o Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca no governo de Barack Obama e hoje é pesquisador sênior do Inter-American Dialogue, disse à Folha que há grandes chances de Donald Trump não reconhecer o resultado se Luiz Inácio Lula da Silva vencer por uma margem apertada. A entrevista é do podcast A Máquina e foi publicada na manhã deste sábado (3), véspera do primeiro turno. Para Zimmerman, o nível de interferência de Trump nas eleições brasileiras não tem precedente na história dos Estados Unidos.

O caminho que ele descreve é o de usar a apuração para continuar pressionando o Brasil. Se Lula vencer, Trump pode exigir contrapartidas ou impor sanções como condição para reconhecer as urnas. Se Flávio Bolsonaro vencer, o americano pode cobrar limites ao acesso da China à infraestrutura e aos minerais críticos do país. Na quinta, o próprio Trump disse, na Casa Branca, que acompanha a eleição brasileira muito de perto e que o pleito é muito importante, sem declarar candidato. Na quarta (30), Lula tinha dito ao podcast Cosmo Política que não se preocupa se Trump demorar a reconhecer uma vitória sua, e repetiu o pedido para que ele não se meta, porque, nas palavras do petista, o candidato americano vai perder.

O que a Folha colocou no ar, então, não é um decreto de Washington. É a leitura de quem ocupou a cadeira de Brasil na Casa Branca de Obama: uma vitória apertada de Lula pode ficar sem o carimbo americano, e uma vitória de Flávio pode vir acompanhada de uma conta sobre a China. O tamanho dessa conta ninguém assinou. O alerta, na véspera do voto, é que o reconhecimento do resultado entrou na negociação.