O ex-assessor de Alexandre de Moraes no TSE, Eduardo Tagliaferro, afirmou em entrevista ao Metrópoles (coluna de Paulo Cappelli) que não denunciou antes as irregularidades que diz ter presenciado porque não havia a quem recorrer. Segundo ele, se tivesse feito a denúncia enquanto estava no Brasil, hoje não estaria na Itália falando, e sim morto.

“Para quem que iria denunciar? Alexandre de Moraes? Para um órgão abaixo? Corregedoria de onde? Supremo Tribunal Federal? Se fazendo o que eu tô fazendo, nada acontece. Na verdade, se eu fizesse algo desse tipo, hoje eu não estaria aqui denunciando. Eu estaria morto”, declarou Tagliaferro.

Ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, ele vazou mensagens e documentos que, segundo sua versão, mostram o uso do tribunal eleitoral para produzir relatórios e embasar operações contra bolsonaristas fora do rito oficial. Moraes sempre negou irregularidades e sustentou que os procedimentos foram oficiais e documentados.

Tagliaferro é réu no STF por violação de sigilo funcional e outros crimes, com mandado de prisão expedido pelo próprio Moraes. A Justiça italiana, porém, negou recentemente o pedido de extradição, apontando falta de imparcialidade objetiva, já que o ministro figura como parte afetada e, ao mesmo tempo, conduziu a investigação e as medidas restritivas.

A fala do ex-assessor reforça as críticas ao clima de concentração de poder e à ausência de mecanismos internos de controle no sistema judicial brasileiro sob a condução de Moraes.